A BYD está negociando com a Stellantis e outras montadoras europeias a possibilidade de utilizar fábricas subutilizadas no continente, em um movimento que pode acelerar sua expansão industrial fora da China. A informação foi confirmada por Stella Li, vice-presidente executiva da fabricante chinesa, durante a conferência Future of the Car, promovida pelo Financial Times em Londres.
Segundo a executiva, a BYD procura qualquer planta disponível na Europa que possa aproveitar capacidade ociosa já existente, em vez de depender exclusivamente da construção de novas unidades do zero. Embora a Stellantis tenha sido citada diretamente, Li afirmou que as conversas envolvem outros grupos automotivos.
“Estamos conversando não apenas com a Stellantis, mas também com outras empresas”, disse Stella Li, segundo informações da Bloomberg.
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O ponto mais relevante da declaração é que a BYD prefere operar as fábricas de forma independente, sem recorrer a joint ventures, modelo historicamente comum para montadoras estrangeiras em determinados mercados. A estratégia sugere uma tentativa de ampliar controle sobre produção, custos e velocidade de expansão na Europa.
A possível negociação surge em um momento de transição para a indústria automotiva europeia. Enquanto fabricantes tradicionais enfrentam custos elevados, desaceleração em alguns mercados e menor utilização de certas plantas industriais, montadoras chinesas aceleram a internacionalização de suas operações, especialmente em veículos elétricos e híbridos plug-in.

No caso da BYD, a expansão industrial europeia já está em andamento. A marca construiu uma fábrica de automóveis de passeio na Hungria, onde a produção experimental já começou, além de ter confirmado anteriormente um novo polo industrial na Turquia. Agora, a busca por fábricas prontas ou parcialmente ociosas pode representar um caminho mais rápido e menos custoso para ampliar a capacidade local.
O movimento também pode ser interpretado como uma resposta ao ambiente regulatório europeu. Com tarifas adicionais sobre carros elétricos produzidos na China e maior escrutínio político sobre importações, produzir localmente passou a ser um elemento-chave para fabricantes chinesas que querem manter competitividade no continente.
Nesse cenário, a Stellantis aparece como um nome muito relevante. O grupo automotivo vem ampliando sua aproximação com marcas chinesas, especialmente após a parceria com a Leapmotor.
No início deste mês, Stellantis e a fabricante chinesa anunciaram planos para expandir a produção na Espanha. A fábrica de Zaragoza deverá receber uma nova linha para produzir um SUV elétrico da Opel e o Leapmotor B10, enquanto a unidade de Villaverde, em Madri, poderá ser transferida para a subsidiária espanhola da Leapmotor International para fabricar futuros modelos da marca.
Ainda não há confirmação sobre quais plantas poderiam interessar à BYD, tampouco indícios de negociações avançadas ou acordos próximos de assinatura. A própria Stellantis ainda não comentou oficialmente as declarações de Stella Li.

BYD Sealion 7 no São do Automóvel
Foto de: Motor1 Brasil
Mesmo assim, o movimento mostra uma mudança clara no setor automotivo europeu. Há poucos anos, o debate estava concentrado em como limitar o avanço das fabricantes chinesas no continente. Agora, com excesso de capacidade industrial em algumas regiões e pressão crescente por competitividade, montadoras tradicionais podem acabar abrindo espaço para que essas empresas utilizem estruturas já existentes.
Para a BYD, acessar fábricas prontas pode representar um atalho importante para ganhar escala na Europa em um momento de concorrência cada vez mais intensa no mercado global de veículos eletrificados.