Ainda de acordo com o MPF, estimativas do Ibama e da Cetesb apontam que a circulação das picapes irregulares levou à emissão de 2,7 mil toneladas de óxidos de nitrogênio acima do permitido entre 2011 e 2016. Em 2017, a Volkswagen realizou um recall para atualização do software, mas a campanha teria alcançado menos de 30% das unidades vendidas.
A condenação de R$ 15 milhões, porém, ainda não encerra a disputa. O próprio MPF recorreu para tentar dobrar o valor para R$ 30 milhões. No entendimento do órgão, a gravidade da conduta justificaria uma indenização maior. O recurso sustenta que a fraude no licenciamento, por si só, viciou a comercialização, a circulação e as emissões das Amarok que carregavam o dispositivo.
Procurada, a Volkswagen do Brasil disse que “não comenta processos em andamento.”
O que foi o Dieselgate
As 17 mil unidades da picape Amarok fazem parte de um contexto muito maior, envolvendo 11 milhões de veículos em todo o mundo. O Dieselgate veio à tona em 2015, nos Estados Unidos, quando autoridades ambientais identificaram que modelos a diesel do Grupo Volkswagen usavam um software conhecido como defeat device, capaz de reconhecer quando o carro estava em teste de laboratório e reduzir artificialmente as emissões de óxidos de nitrogênio nessa condição.
O caso atingiu cerca de 11 milhões de veículos no mundo, de marcas do grupo como Volkswagen, Audi, Seat e Skoda, e levou a recalls, acordos bilionários, multas, ações judiciais e investigações em diversos países. No Brasil, a discussão se concentra nas unidades da Amarok produzidas entre 2011 e 2012, equipadas com motor TDI EA 189, o mesmo associado ao escândalo global.