Viajando pela Europa? Como evitar áreas de protesto – 21/10/2026 – Turismo

A fotógrafa brasileira Janaina Villela estava no caixa de uma loja de departamentos na praça do Duomo, em Milão, quando uma funcionária disse: “You must go”, você precisa ir. Era o meio da tarde da última segunda-feira (19), e comerciantes da região temiam a repetição das cenas de vandalismo registradas no fim de semana.

“Eu chamei minha amiga e disse para irmos embora. Olhei o mapa no celular e decidimos sair por trás da loja. Fomos até [o bairro de] Brera”, disse Villela. Naquele dia, lojas abaixaram as portas antes do horário no entorno do Duomo, a catedral que é o maior ponto turístico da cidade, e no Quadrilátero da Moda, que concentra grifes de luxo.

Villena mora em São Paulo e está de férias entre Itália e França, em uma excursão organizada por uma agência especializada em arte. Além do susto e da mudança de bairro forçada, a passagem dela por Milão, que durou três dias, não teve outros imprevistos.

Programada no começo do ano, sua viagem coincide com uma onda de protestos em cidades da Itália, França, Portugal, Espanha e Bélgica. Os motivos giram em torno de insatisfações com a alta do custo de vida, o sistema escolar e condições de moradia.

Em Paris e Milão, grupos minoritários quebraram vitrines, incendiaram carros e saquearam lojas. Houve confrontos com policiais, que lançaram bombas de efeito moral. Milhares de pessoas foram detidas, e autoridades anunciaram medidas como toque de recolher, reforço de agentes e penas mais duras. Novos atos estão programados para o próximo fim de semana.

Ao mesmo tempo, o turismo segue acontecendo nessas cidades, assim como as atividades cotidianas de seus moradores. Nos últimos dias, repercutiram nas redes sociais cenas de pessoas atravessando protestos em Paris arrastando malas, praticando atividade física e bebendo em restaurantes com aparente tranquilidade.

Apesar de países como Itália e Alemanha terem emitido alertas para cidadãos que pretendem ir para a França, não há restrições de viagens em vigor.

Até quarta-feira (21), o Itamaraty não tinha emitido alertas relacionados aos protestos na Europa. Os avisos podem ser verificados no Portal Consular.

Questionado pela Folha, o ministério recomenda que turistas evitem multidões e locais onde estejam agendados protestos, se informem pela mídia local da realização de atos e sigam “rigorosamente as orientações das autoridades”. Também indica que o turista acompanhe sites e redes sociais de embaixadas e consulados brasileiros nos países que for visitar.

Assim como acontece em São Paulo com a avenida Paulista, manifestações na Europa costumam ter como pontos de partida e de encerramento ruas e praças conhecidas pelos moradores por reunir esses atos. A maior parte dos outros bairros não é afetada.

Em Milão, costumam receber protestos a praça do Duomo, a frente da estação Centrale e o corso Venezia. Em Paris, os últimos atos foram registrados no entorno da Place de la République e em Les Halles, com as praças da Bastille e da Concorde também afetadas.

“Para viajantes, é melhor evitar áreas onde ocorrem protestos e, para isso, perguntar à hospedagem”, diz Agnès Angrand, diretora para a América do Sul da Atout France, órgão do governo de promoção do turismo. Ela indica monitorar os canais da RATP (Régie Autonome des Transports Parisiens), que tem atualizações em tempo real sobre meios de transporte.

Um dos principais efeitos de manifestações são desvios de linhas de bondes e ônibus e o fechamento de estações de metrô. Os moradores costumam receber notificações dos aplicativos de transporte público antes e durante os atos. Para o visitante em dúvida, vale se informar com moradores, guias turísticos e funcionários de hotéis.

Também é possível que atrações turísticas fechem as portas de forma inesperada. Foi o que aconteceu com o Museu do Louvre na segunda-feira (19), alvo de protestos estudantis. No site, o museu informava que todos os bilhetes seriam automaticamente reembolsados. Para evitar frustrações, confirme antes de se deslocar se a atração está em funcionamento.

Em geral, as manifestações começam no período da tarde, o que deixa as manhãs mais propícias para passeios ao ar livre ou em pontos muitos famosos. Os finais de semana também costumam concentrar mais atos do que os dias entre segunda e sexta-feira.

Embora possa ser conveniente contratar um seguro de viagem internacional, especialmente para imprevistos de saúde, é preciso checar as diferenças entre apólices sobre reembolsos em caso de cancelamentos ou de danos ligados a agitações populares. Em geral, riscos ligados a eventos conhecidos, como uma manifestação, ou o cancelamento por receio de possíveis protestos não estão incluídos.

O que o turista brasileiro deve fazer em caso de protestos na Europa

  • Buscar conhecer e seguir as orientações das autoridades locais
  • Evitar multidões e locais da cidade onde estejam agendados protestos
  • Monitorar a imprensa local, para se manter atualizado sobre protestos e seus desdobramentos
  • Procurar se informar com moradores locais, guias turísticos ou funcionários de hotéis sobre manifestações naquele dia
  • Seguir canais e aplicativos de transporte público das cidades visitadas, para atualizações em tempo real sobre protestos e interrupções de serviço
  • Checar antes de ir se atrações turísticas, centros comerciais e restaurantes estão abertos
  • Acompanhar as páginas eletrônicas e redes sociais da Embaixada do Brasil e dos Consulados-Gerais no país para o qual se desloca
  • Ter em mãos números de emergência e endereço de hospedagem. Na União Europeia, o número de emergência é 112 para todos os países

Fonte: Folha de São Paulo

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