Tão perto, tão longe: Fifa expulsa dos estádios quem mais sonhou com a Copa

Quem fica de fora e recorre ao mercado de revenda leva um susto ainda maior. O ingresso mais barato disponível para a final já parte de US$4 mil (R$ 20 mil) na plataforma oficial de revenda da Fifa — sete vezes o preço do ingresso mais barato da final de 2022, no Qatar, e muito acima dos US$100 (R$ 500) que eram o piso da entrada para a final da Eurocopa 2024. Até o preço médio projetado pela própria Fifa para a final, de US$1,4 mil (R$ 7 mil), já foi superado.

Torcedores europeus parecem compartilhar o mesmo sentimento. A maior rede de torcedores da Europa, a Football Supporters Europe, se uniu ao grupo de defesa do consumidor, Euroconsumers, para apresentar uma queixa formal à Comissão Europeia contra a Fifa, alegando abuso de posição dominante por meio de preços abusivos e regras de comercialização pouco transparentes.

Em Copas anteriores, houve um esforço para não deixar o torcedor local de fora. Na África do Sul, em 2010, cerca de 15% dos ingressos eram da chamada “Categoria 4” — reservada para residentes do país-sede, com preços a partir de US$20 (R$ 150 em valores de hoje). No Brasil, em 2014, foram 400 mil ingressos a partir de US$30 (R$ 210 em valores de hoje), com descontos de 50% para estudantes, idosos e beneficiários de programas sociais. No Qatar, a Fifa abandonou essa categorização, mas ainda utilizou preços diferenciados para residentes.

Não que fosse fácil ir à Copa em outras edições. A elitização dos estádios e o afastamento de muitos torcedores foram críticas constantes na Copa de 2014, quando muitos brasileiros que acompanham o futebol ao longo do ano se viram fora dos jogos. A situação de 2026, porém, é de outra ordem.

Pela primeira vez na história da Copa do Mundo, a Fifa introduziu a precificação dinâmica (ou variável). Sob este modelo, os preços dos ingressos são determinados pela oferta e demanda em tempo real, um mecanismo já familiar em companhias aéreas, hotéis e aplicativos de transporte. Na Copa de 2026, funciona assim: após cada rodada de vendas, a Fifa analisa a demanda e define um novo preço mínimo, mais alto, para a rodada seguinte.

É o sonho de um economista: a precificação dinâmica é eficiente porque aproxima o preço cobrado do ponto em que a demanda encontra a oferta. Porém, duas questões merecem atenção. A primeira é que a Fifa não é apenas a única vendedora, mas também quem controla a oferta por rodada. Quando um único ator define tanto a oferta quanto o preço, a precificação dinâmica deixa de ser um mecanismo de equilíbrio.



Fonte: UOL

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