
MARIA CLARA MATOS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Sindicato dos Comerciários de São Paulo está em negociação com o grupo Casas Bahia para antecipar o pagamento das verbas rescisórias dos demitidos pela varejista. Na semana passada, a empresa anunciou o fechamento de 298 lojas e a demissão de quase 2.000 mil trabalhadores. No domingo (16), veio à tona o pedido de recuperação judicial para estancar uma dívida de cerca de R$ 17,3 bilhões.
Uma reunião que durou cerca de duas horas foi feita nesta terça-feira (18) entre os representantes trabalhistas, um advogado da empresa de varejo e um funcionário da área de recursos humanos. A expectativa de Ricardo Patah, presidente do UGT (União Geral dos Trabalhadores) e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, é conversar com o CEO do grupo, Renato Franklin.
Há o medo de que as verbas rescisórias, que hoje estariam dentro do processo de recuperação judicial, sejam adiadas, parceladas e pagas com desconto.
“Queremos que elas sejam pagas imediatamente, que seja liberado o Fundo de Garantia, o seguro-desemprego e também a possibilidade de o seguro de saúde continuar por mais um tempo”, diz Patah, que acrescenta o pedido para que funcionários demitidos com muito tempo de casa sejam reaproveitados em lojas que continuam em operação.
A Folha procurou o grupo Casas Bahia por email às 11h47 de segunda-feira e às 13h24 desta terça e não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
“Tão logo seja deferido o processamento deste pedido de recuperação judicial, os débitos atinentes às ações e execuções de instituições financeiras, fornecedores e credores trabalhistas estarão sujeitos aos efeitos da presente ação e deverão ser pagos nos termos do Plano de Recuperação Judicial a ser oportunamente apresentado”, diz a petição do grupo Casas Bahia protocolada na Justiça.
O sindicato assinou uma procuração para entrar no processo como credor, mas possui um pedido de ação anulatória preparada e promete acionar a Justiça caso não consiga chegar a um acordo com a varejista. A ação questiona o motivo das demissões terem acontecido em grande escala sem comunicação prévia aos sindicatos.
A empresa teria afirmado ao sindicato na reunião que o número de profissionais desligados em São Paulo não seria suficiente para uma ação anulatória.
Na Grande São Paulo, o Secor (Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região) afirma que vai entrar com uma ação coletiva contra a rede de varejo. A entidade diz que pedirá a reintegração dos funcionários e indenização por dano moral. A expectativa é que a ação seja apresentada nesta quarta-feira (19).
LOJAS QUE FECHARAM DO GRUPO CASAS BAHIA EM SÃO PAULO
Segundo levantamento feito pelo Sindicato dos Comerciários de São Paulo:
Shopping Interlagos
Campo Limpo
Santo Amaro
Ponte Rasa
Vila Matilde
Shopping Aricanduva
Bairro do Limão
Lapa
Shopping Tietê Plaza
Shopping Center Norte
Ermelino Matarazzo
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