A estreia da Shein Global como empresa de capital aberto segue turbulenta. No primeiro balanço desde a abertura de capital, os resultados vieram abaixo do esperado e derrubaram as ações listadas em Hong Kong em cerca de 14% no início do pregão de terça-feira, para uma mínima recorde.
Os números do segundo trimestre mostraram queda no lucro e crescimento fraco da receita, em um contexto de pressões persistentes de tarifas e custos logísticos em alta. A varejista de moda rápida, fundada na China, afirmou que o ambiente externo deve continuar incerto no segundo semestre de 2026, mas indicou possibilidade de melhora no quarto trimestre, que é sazonalmente mais forte.
“O quarto trimestre continua sendo nossa janela promocional mais significativa e deve impulsionar de forma relevante os pedidos”, afirmou a empresa em comunicado.
No segundo trimestre, a receita subiu apenas 0,9% em relação a um ano antes, para US$ 11,08 bilhões. Já o lucro líquido ajustado caiu cerca de dois terços, para US$ 228 milhões.
Com cobertura ainda limitada, não há um consenso robusto de mercado, mas analistas do Jefferies estimaram que o resultado ficou mais de 10% abaixo da faixa inferior sugerida pelo prospecto.
A receita nos Estados Unidos caiu 6% no trimestre, enquanto a receita na Europa recuou 14%. A fraqueza nos EUA surpreendeu o Jefferies, que afirmou que investidores e a própria administração esperavam recuperação no mercado americano.
A operação nos Estados Unidos foi afetada depois que o governo encerrou, em 2025, uma isenção tarifária para importações de baixo valor, reduzindo a demanda por produtos baratos.
Na Europa, as vendas também ficaram sob pressão depois que a União Europeia (UE) eliminou, em julho, uma isenção semelhante e abriu, neste ano, uma investigação sobre preocupações relacionadas a produtos ilegais e riscos aos usuários ligados ao modelo da plataforma.
A guerra no Oriente Médio agravou o cenário ao afetar rotas de transporte e elevar os custos de frete. A Shein afirma estar adotando medidas para enfrentar os ventos contrários, incluindo aumentos de preços.
A empresa abriu capital neste mês em Hong Kong, com avaliação próxima de um quarto dos quase US$ 100 bilhões que já chegou a valer.
Apesar de a oferta ter sido uma das maiores do ano no mercado local, as ações já acumulam queda de quase 30% em relação ao preço do IPO.
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