Rússia quer 12 anos de prisão para homem que criticou a guerra

A Promotoria da Rússia pediu nesta sexta-feira (14) uma pena de 12 anos e 1 mês de prisão para o opositor Lev Shlosberg, vice-presidente do partido Yabloko (recentemente impedido de participar das eleições legislativas de setembro), acusado de “desacreditar” as Forças Armadas e de divulgar “informações falsas” sobre os militares russos. O pedido foi apresentado ao Tribunal Municipal de Pskov, segundo informou o próprio partido.

A primeira acusação está relacionada a uma publicação feita por Shlosberg em 25 de fevereiro de 2022, dias após o início da invasão em larga escala da Ucrânia. Na ocasião, o político compartilhou em uma rede social uma imagem publicada originalmente pela extinta rádio independente Ekho Moskvy, que reproduzia a capa do jornal britânico Daily Mirror com uma mulher ensanguentada ao lado do ditador Vladimir Putin.

Segundo o site opositor Novaya Gazeta, a capa trazia a frase “O sangue dela… as mãos dele”. A promotoria sustenta que a publicação constitui divulgação de informações falsas sobre as Forças Armadas russas.

Shlosberg contesta a acusação e argumenta que a publicação foi feita antes de a Rússia aprovar a legislação que passou a criminalizar a divulgação de conteúdos considerados falsos sobre os militares. As leis de censura relacionadas à guerra foram adotadas após a invasão, já durante o conflito na Ucrânia.