
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciou nesta terça-feira (15) uma nova política de revogação de vistos de cidadãos da África do Sul que, no entendimento da gestão Donald Trump, estejam envolvidos em perseguição contra brancos.
“Os Estados Unidos continuam profundamente preocupados com crimes de motivação racial e com a discriminação patrocinada pelo governo contra os africâneres [sul-africanos brancos] e outras populações minoritárias na África do Sul, incluindo legislação discriminatória baseada na raça, ameaças de expropriação de terras sem indenização e a incitação à violência racial por meio de cânticos e slogans desumanizantes”, afirmou Rubio em comunicado.
O secretário de Estado alegou que o governo sul-africano “não abordou de forma adequada as preocupações anteriormente apresentadas” e por isso os Estados Unidos anunciaram uma nova política de restrição de vistos.
Embora a nota não especifique pessoas atingidas pela medida, Rubio afirmou que esta será “voltada para cidadãos estrangeiros responsáveis por — ou cúmplices na — promulgação ou implementação de leis ou políticas que viabilizem a tomada de terras sem indenização, a discriminação racial e/ou a incitação à violência iminente contra membros de grupos étnicos ou raciais minoritários na África do Sul”.
“Os Estados Unidos não permitirão que tal comportamento permaneça sem resposta”, afirmou o secretário de Estado americano.
Numa visita do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, à Casa Branca em maio do ano passado, Trump o confrontou sobre o que chamou de “genocídio branco” no país africano – ou seja, perseguição e violência contra brancos.
Uma lei promulgada no início de 2025 por Ramaphosa permite a desapropriação de terras sem indenização em determinadas circunstâncias, como casos em que uma propriedade não está sendo utilizada e não há intenção de desenvolvê-la ou gerar lucros com ela.
O governo da África do Sul nega discriminação racial e alega que a lei é necessária para promover o “acesso à terra de forma equitativa e justa”: segundo dados publicados pela agência Reuters à época da publicação da lei, apenas 4% das terras privadas no país pertenciam a negros, que representam quase 80% da população sul-africana.
Antes da reunião do ano passado, Trump já havia cortado a ajuda financeira à África do Sul e criado um programa de refúgio para acolher brancos sul-africanos, por meio do qual cerca de 7,7 mil pessoas já foram transferidas para os EUA, segundo a emissora CNN.