Robert Boxie III torna-se o bispo mais jovem e primeiro afro-americano em anos nos EUA

O ex-advogado formado em Harvard, Robert Boxie III, de 45 anos, vive um marco histórico em sua trajetória religiosa ao ser nomeado pelo Papa Leão XIV como bispo auxiliar de Washington. A ordenação ocorreu em 8 de julho de 2026, no Santuário Nacional da Imaculada Conceição, tornando-o o primeiro afro-americano a assumir um cargo de liderança na Igreja Católica americana em quase uma década.

Como foi a transição da advocacia de elite para a vida religiosa?

Robert Boxie III trilhou um caminho acadêmico brilhante, com passagens pela Universidade Vanderbilt, onde estudou engenharia química e música, e pela renomada Faculdade de Direito de Harvard. Ele trabalhava em um prestigiado escritório de advocacia em Washington, D.C., desfrutando de sucesso financeiro e estabilidade, quando decidiu ouvir um chamado espiritual que persistia. Após anos de discernimento iniciados em retiros vocacionais, ele trocou a carreira jurídica pelo seminário da Arquidiocese de Washington, sendo ordenado sacerdote no ano de 2016.

Qual é o significado histórico da nomeação de Robert Boxie?

A escolha de Robert Boxie para o episcopado carrega um peso simbólico profundo para a comunidade católica negra. Além de ser o membro mais jovem da conferência episcopal americana, sua nomeação quebra um hiato de quase dez anos sem a escolha de um bispo afro-americano no país. Ele representa uma voz de liderança em uma instituição que, historicamente, impôs barreiras raciais e tratou fiéis negros como cidadãos de segunda classe. Para o novo bispo, esse momento traz esperança de que a Igreja Católica está atenta e não esqueceu essa parcela importante de seus fiéis.

Qual será o papel do novo bispo junto à juventude e à comunidade negra?

Com vasta experiência como capelão na Universidade Howard, uma das instituições de ensino historicamente negras mais importantes dos EUA, Boxie pretende usar sua juventude e vivência para se conectar com novas gerações. Ele acredita que os jovens têm criatividade e zelo a oferecer à Igreja. Além disso, o bispo destaca que a espiritualidade negra, marcada pela coexistência entre a alegria e o sofrimento, é essencial para o processo de cura necessário diante das feridas históricas do racismo, abrindo caminhos para aqueles que se sentiam desiludidos com a religião.