Há cerca de 30 anos, a pesquisa de doutorado de Queloz inaugurou a revolução dos exoplanetas, descoberta de que há milhares de planetas orbitando estrelas fora do nosso sistema solar. A revelação reforça o chamado paradoxo de Fermi: se deveria haver vida por toda parte, por que ainda não a encontramos?
Segundo ele, há algumas explicações possíveis para esse que é um dos grandes dilemas científicos. Uma das hipóteses é que a Terra é realmente extraordinária – pode ter havido vida em outros planetas, sem condições de mantê-la.
Em segundo lugar, a vida não sobrevive ao deslocamento espacial, o que explicaria a impossibilidade de contato ou distribuição de formas de vida para outros planetas. Outra é que civilizações que ganham consciência e avançam tecnologicamente são como “uma criança com uma arma”: sem saber o que estão fazendo, infligem um nível de dano a si e ao planeta a ponto de acabarem desaparecendo.
“Se os cientistas soubessem de algo, não esconderiam, publicariam de imediato. Somos muito faladores”, brinca Queloz. Hoje, pesquisas sobre o que está acontecendo na atmosfera dos exoplanetas são algumas das principais vias para rastrear a existência de vida fora da Terra.
Para o astrofísico americano Adam Frank, a resposta pode ser mais direta. Ele não acredita haver um paradoxo de Fermi. “Nunca achamos (vida) porque nunca procuramos o suficiente”, afirma.
Segundo ele, os recursos para a busca por inteligência extraterrestre sempre foram limitados: se o universo é um oceano, só vasculhamos o equivalente ao volume de uma banheira, compara o cientista.