Psicólogo alerta para os efeitos emocionais das canetas emagrecedoras

As chamadas “canetas emagrecedoras” têm provocado uma transformação que vai muito além da perda de peso. Popularizadas por medicamentos utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes, elas também despertam a atenção para seus possíveis impactos psicológicos. Para o psicólogo Paulo Zago Neto, a mudança na relação com a fome e com a comida, somada ao emagrecimento muitas vezes acelerado, pode influenciar diretamente a autoestima, a imagem corporal e o comportamento emocional dos pacientes. 

Um dos efeitos percebidos por muitas pessoas é a redução dos pensamentos constantes sobre fome e impulso alimentar. Para quem viveu durante anos em uma relação de ansiedade, culpa ou sensação de perda de controle diante da comida, essa mudança pode representar um grande alívio. No entanto, é importante compreender que reduzir o apetite não significa, necessariamente, resolver as questões emocionais que estavam por trás do comportamento alimentar.

Segundo o psicólogo, a comida frequentemente ocupa um papel que vai além da nutrição. Ela pode ser utilizada como mecanismo para lidar com ansiedade, estresse, solidão, frustração e tristeza. Quando o medicamento diminui a vontade ou a capacidade de comer em excesso, a emoção que levava aquela pessoa a buscar a comida pode continuar existindo. Por isso, em alguns casos, é necessário desenvolver outras formas de lidar com os sentimentos e compreender o que estava por trás daquela relação com a alimentação. 

“Um ponto muito importante de atenção é a velocidade com que o corpo pode mudar. Embora a perda de peso possa contribuir para o aumento da autoestima e da satisfação com a própria imagem, o reconhecimento externo também pode exercer uma forte influência psicológica. Quando a pessoa começa a receber mais elogios, atenção e validação após emagrecer, ela pode, inconscientemente, associar seu valor pessoal ao novo corpo. O risco está em acreditar que só será aceita, desejada ou reconhecida enquanto mantiver determinado peso. É preciso observar quando o cuidado com o corpo deixa de ser uma busca por saúde e passa a ser uma tentativa de encontrar aceitação, controle ou valor pessoal”, diz Paulo.

As canetas podem ser uma importante ferramenta dentro de um tratamento médico, quando corretamente indicada, mas não deve ser encarada como uma solução isolada. O emagrecimento também passa pela compreensão dos hábitos, das emoções, da autoestima e da relação que cada pessoa construiu com a comida e com o próprio corpo. Por isso, é importante o acompanhamento multidisciplinar, especialmente quando há histórico de compulsão alimentar, transtornos alimentares, ansiedade, depressão ou uma relação muito conflituosa com o peso.

Atualmente, a mudança na forma de como as pessoas emagrecem é muito importante. Para o Paulo, a discussão sobre as canetas emagrecedoras precisa ir além dos números da balança e das transformações estéticas exibidas nas redes sociais. É necessário entender como essas pessoas se sentem, o que estão buscando emocionalmente e como lidam com o próprio corpo durante e depois desse processo. Emagrecer pode transformar o corpo, mas também pode mexer profundamente com a identidade e com a forma como se exergam no mundo.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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