
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os preços do petróleo subiram na sessão desta segunda-feira (10), em meio à continuidade das incertezas sobre a reabertura do estreito de Hormuz, seguindo a tendência das últimas sessões.
O Irã afirmou que um acordo com Omã para estabelecer novas rotas de navegação está em fase final, mas ressaltou que os Estados Unidos ainda precisam cumprir outras condições.
O barril Brent, referência internacional, chegaram a subir 4,07%, cotado a US$ 86,95 (R$ 442,66), por volta das 12h30 (horário de Brasília). Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos Estados Unidos, estava sendo negociado a US$ 81,14 (R$ 413,08), uma elevação de 3,80%.
Neste domingo, os houthis, alinhados a Teerã no Iêmen, disseram ter atacado a refinaria de Jazan, da Saudi Aramco, na costa do mar Vermelho. A ofensiva ocorreu dois dias depois de Riad assinar um pacto de defesa com Turquia e Paquistão em resposta à crescente instabilidade regional provocada pelo conflito.
Enquanto Irã e Estados Unidos ainda discutem os parâmetros para um possível acordo de paz, os houthis declararam no mês passado um bloqueio naval contra a Arábia Saudita no mar Vermelho. O Irã e grupos armados xiitas aliados passaram a intensificar ataques contra outros países do Golfo, além de ações contra carregamentos de energia, desde o início do conflito.
No sábado (8), um funcionário iraniano de alto escalão da área de segurança nacional apresentou uma lista de exigências que, segundo ele, os EUA terão de cumprir antes que o estreito de Hormuz possa ser reaberto ao tráfego marítimo. A iniciativa lança dúvidas sobre o destino dessa rota comercial.
Mohammad Bagher Zolghadr, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, divulgou um comunicado veiculado pela mídia estatal no qual enumera várias condições para a reabertura da via marítima.
Ele exigiu que os EUA suspendam o bloqueio naval e as sanções contra o Irã, retirem as forças militares americanas das proximidades do país, paguem reparações devido à guerra e liberem ativos iranianos congelados, além de encerrarem os ataques aos aliados do Irã na região e as ameaças contra o país.
O porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai, voltou a afirmar que não há negociações em andamento diretamente com o governo norte-americano, mas com a intermediação de terceiros. No domingo, o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a declarar que espera resolução, mas que a situação é semelhante “a uma partida de xadrez”, ao que os iranianos responderam: “Demonstramos que somos jogadores profissionais de xadrez”, comentou Baqai.
O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou neste domingo (9) que impedirá o Irã de obter armas nucleares, independentemente do rumo das negociações diplomáticas com Washington e os países do Golfo.
Os futuros do petróleo haviam fechado com alta de mais de US$ 3 por barril na quinta-feira (6), enquanto o Irã analisava um projeto de lei para proibir a passagem de embarcações dos Estados Unidos e de Israel pe lo estreito, por onde normalmente passava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo antes do início da guerra, no final de fevereiro.
Os preços do petróleo caíram no início da semana passada, à medida que uma possível solução para o conflito parecia mais provável. As cotações, no entanto, voltaram a subir no final da semana, com o aumento das incertezas.
“O mercado está tentando avaliar se um acordo entre o Irã e Omã permitiria que um navio com bandeira dos EUA transitasse pelo estreito de Hormuz”, disse Andrew Lipow, presidente da Lipow Oil Associates. “Será que permitiria a passagem de um navio de propriedade dos EUA? Será que permitiria a passagem de um navio com destino a um porto dos EUA?”.
O mercado de petróleo também está tentando determinar quanto tempo pode levar para encerrar a guerra que já dura cinco meses entre os EUA, Israel e o Irã, disse Lipow.
“Quanto mais tempo durar a interrupção no abastecimento, mais as reservas comerciais mundiais serão esgotadas”, disse ele.
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