Perfis “fantasmas” gastam R$ 1,3 mi em conteúdo contra a direita

Páginas “fantasmas” de perfis nas redes sociais da Meta gastaram mais de R$ 1,29 milhão em três meses para promover ataques contra candidatos da direita. A prática foi descoberta pelo jornal O Globo e confirmada pela Folha de S.Paulo. Procurada, a Meta não comentou.

Sete perfis, com no máximo 400 seguidores cada, impulsionaram postagens contra o pré-candidato ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tentando vincular esse campo político às investigações do escândalo do Banco Master e ao crime organizado.

A estratégia das páginas, segundo apuração dos jornais, é espalhar uma grande quantidade de postagens promovidas com valores pulverizados – numa prática conhecida como marketing de guerrilha.

Os perfis ainda usam mensagens genéricas para driblar os algoritmos da plataforma que fiscalizam o conteúdo político no período pré-eleitoral, de acordo com O Globo. Páginas que entraram no ar em maio já haviam sido desativadas em junho, após promoverem mais de mil publicações.

Além das mensagens de ataque à direita, os perfis — cujos nomes são “Radar do Planalto”, “Dossier Brasil” e “Contra-Fluxo”, entre outras denominações que simulam veículos jornalísticos — publicaram elogios ao pré-candidato do PT ao governo do Estado de São Paulo, Fernando Haddad.

A maioria dos perfis estaria associada a números de telefone com DDD do Paraná, segundo O Globo. Outra semelhança apontada é a data de criação das contas, concentrada entre os dias 22 e 23 de abril e 3 e 8 de junho.

“Flávio Bolsonaro diz que é contra o crime organizado, mas montou um esquema de desvio de dinheiro com milicianos. Ele diz que quer classificar o CV como organização terrorista, mas está cheio de amigos vinculados à facção. Esse é Flávio, o mais bandido dos Bolsonaros”, diz uma das postagens reveladas pelo jornal. O texto era acompanhado de conteúdos apurados por fontes legítimas de informação, como jornais e sites.

Meta evita dar detalhes

Procurada pelos jornais, a Meta limitou-se a dizer que procura promover um “ambiente saudável” na internet, direcionando o contato para as páginas que descrevem a política da empresa para as eleições. Nenhuma informação específica sobre ações contra as páginas mencionadas foi destacada.

A Gazeta do Povo também procurou a empresa para comentar e a Meta não negou as informações dos jornais, mas evitou tecer comentários adicionais. O espaço segue aberto.

Fonte: Gazeta do Povo

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