
Papa Leão XIV convocou comunicadores católicos reunidos esta semana em Kigali, Ruanda, a usar as plataformas de comunicação digital disponíveis para promover o bem comum, a dignidade humana, a verdade e a proteção ambiental. A mensagem do papa foi entregue pelo núncio apostólico em Ruanda, arcebispo Arnaldo Sánchez Catalán, durante a cerimônia de abertura do primeiro Congresso Mundial da SIGNIS realizado na África, que acontece em Kigali sob o tema “Comunicação Digital para a Harmonia Cultural e o Bem-Estar Ambiental”.
Na mensagem, enviada por meio do cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, Papa Leão XIV expressou sua proximidade espiritual aos participantes e disse esperar que suas deliberações proporcionem “um novo impulso” para garantir que as plataformas de comunicação sirvam ao bem comum da família humana. O papa alertou contra uma cultura de comunicação cada vez mais moldada por algoritmos em vez de encontros humanos genuínos.
Ele observou que a era digital transformou a vida cotidiana, enfatizando que a comunicação online vai além da transmissão de informações. Em sua encíclica Magnifica Humanitas, Papa Leão XIV observa que a comunicação digital contribui para a criação de cultura porque molda como as pessoas percebem o mundo e, consequentemente, influencia a consciência coletiva.
Diante desse cenário, o Santo Padre encorajou os participantes a explorar estratégias e ferramentas de comunicação inspiradas pela busca da verdade e pelo respeito à dignidade humana. Ele disse que tais esforços devem contribuir para uma cultura enraizada nos valores do Evangelho, particularmente comunhão, paz e proteção ambiental.
Ao se dirigir aos participantes por meio de uma mensagem gravada, Paolo Ruffini, prefeito do Dicastério do Vaticano para a Comunicação, alertou que os avanços tecnológicos, particularmente a inteligência artificial (IA), não devem ocorrer às custas das relações humanas e da responsabilidade. Ruffini reconheceu o potencial transformador da IA, mas disse que a questão central que confronta a sociedade não é tecnológica, mas humana: que tipo de pessoas a humanidade escolhe se tornar ao usar essas tecnologias.
A IA, disse ele, pode calcular, organizar informações e emular a linguagem, mas não pode substituir a sabedoria nascida da liberdade, da experiência pessoal, da responsabilidade e do amor. “Nunca devemos permitir que algoritmos escrevam nossa história”, alertou Ruffini, enfatizando que os seres humanos devem permanecer no controle das tecnologias que criam.
Ele convocou os comunicadores a proteger as vozes e os rostos humanos em um ambiente cada vez mais digital, enfatizando que fazer isso requer cultivar o pensamento crítico, preservar espaços para o diálogo e garantir que a tecnologia permaneça a serviço da pessoa humana. Ruffini também desafiou a SIGNIS a fortalecer seu papel como uma rede global conectando profissionais que trabalham no jornalismo, no cinema e na comunicação.
Ele descreveu a comunicação como um bem público que precisa ser protegido, instando a organização a construir alianças com profissionais, empresários e engenheiros da informação comprometidos em criar um ecossistema de comunicação digital melhor. Segundo o prefeito, a SIGNIS deve permanecer uma rede de pessoas unidas pela fé, em vez de se tornar meramente uma burocracia eclesiástica.
Ele imaginou a organização como um espaço onde relações de confiança podem florescer, informações confiáveis podem ser compartilhadas e projetos podem ser desenvolvidos para promover um modelo diferente de comunicação. Tal rede, disse ele, deve criar espaço para o diálogo em meio à diversidade e ao desacordo, garantindo que as diferenças não destruam a fraternidade.
Ruffini desafiou ainda os comunicadores católicos a resistir a um modelo de comunicação impulsionado principalmente pelo lucro ou pela busca de consenso, insistindo que o propósito final da comunicação deve permanecer a serviço da verdade. “O futuro da comunicação não dependerá, em última análise, do poder de nossas tecnologias. Dependerá da força de nosso compromisso e da natureza de nosso relacionamento”, disse ele.
Ele instou os participantes a usar sua rede baseada na fé para construir pontes e criar encontros significativos em um mundo cada vez mais mediado por plataformas digitais. Ruffini pediu maior espaço para vozes e rostos humanos na comunicação digital, encorajando os membros da SIGNIS a ajudar a moldar um ecossistema de comunicação que coloque a dignidade humana e os relacionamentos em seu centro. “A maior inovação que ainda podemos oferecer à nossa sociedade não é tanto uma máquina, mas uma maneira mais humana de se comunicar”, disse ele.
Os participantes do congresso de 3 a 8 de agosto estão explorando uma ampla gama de tópicos, incluindo comunicação digital para a comunhão, práxis religiosa e cultural na era digital, inteligência artificial na mídia contemporânea, alfabetização midiática, engajamento juvenil, comunicação ambiental e o papel dos comunicadores católicos na promoção da reconciliação e da harmonia cultural.
Entre os países africanos representados no congresso estão Ruanda (o país anfitrião), Burundi, República Democrática do Congo, Quênia, Uganda, Tanzânia, Nigéria, Togo, Costa do Marfim, Camarões, Zâmbia, Gana, Senegal, Etiópia, Sudão do Sul, Sudão, Burkina Faso, Benin, África do Sul e Moçambique.
©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: Pope to World SIGNIS Congress: Embrace digital communication that promotes human dignity https://www.ewtnnews.com/world/africa/pope-to-world-signis-congress-embrace-digital-communication-that-promotes-human-dignity