O que torna diferente a nova negociação na Venezuela

O chavismo e parte da oposição da Venezuela voltaram à mesa de negociações para discutir a transição democrática no país. Essa é a mais nova tentativa de reestruturar as instituições políticas venezuelanas e criar condições para futuras eleições livres. As conversas começaram formalmente em Caracas no último dia 6 e ocorrem em um cenário bastante diferente daquele das sucessivas negociações realizadas durante o regime de Nicolás Maduro: desta vez, o ditador está fora do poder (e preso) e os Estados Unidos participam diretamente do novo processo.

A delegação que representa o chavismo nessas novas negociações é liderada por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, ainda controlada pelo regime, e irmão da atual líder venezuelana, Delcy Rodríguez. Pela oposição, o principal nome é Dinorah Figuera, que preside o grupo de ex-deputados da Assembleia Nacional eleita em 2015, último Parlamento venezuelano de maioria opositora e reconhecido pelos Estados Unidos como democraticamente eleito.

Nos encontros que já tiveram, as partes discutiram mudanças no sistema político venezuelano antes de uma futura votação presidencial, incluindo reformas no Conselho Nacional Eleitoral (CNE), responsável pelas eleições no país, e no Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) – a mais alta corte venezuelana, duas instituições que durante os anos de Maduro foram acusadas pela oposição de atuar em favor do chavismo.

Na quarta-feira (12), ao término do primeiro ciclo de negociações, as duas delegações deram o primeiro passo concreto nesse sentido. Chavismo e oposição concordaram em iniciar um processo para substituir todos os magistrados do Tribunal Supremo de Justiça e reformar leis que regulam o sistema judicial venezuelano.