MotoGP: Acidente fez Márquez revelar plano de cirurgia no ombro

O acidente durante a corrida sprint do GP da França do último fim de semana trouxe uma mudança de planos inesperada para o heptacampeão da MotoGP Marc Márquez. O espanhol se viu obrigado a revelar à Ducati seu plano secreto de realizar uma nova cirurgia no ombro, relatando os problemas para pilotar por conta da lesão de 2025.

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Os novos problemas de Márquez começaram na corrida sprint do GP da Indonésia do ano passado. Um strike causado por Marco Bezzecchi levou a uma fratura no ombro do espanhol, que ficou de fora do restante da temporada 2025, aproveitando que já havia conquistado o título.

Desde 2020, seu braço direito já passou por seis cirurgias e, após uma queda na sprint do GP da França do último fim de semana, foi submetido a uma sétima intervenção.

Embora o espanhol tenha se recuperado da lesão de 2025 a tempo de participar dos testes de pré-temporada em Sepang e tenha alinhado para as primeiras corridas do ano, algo o atormentava. O atual campeão mundial reclamou que não conseguia adotar a posição ideal para controlar a potência de sua GP26.

Após o GP da Espanha, em 27 de abril, Márquez decidiu procurar seus médicos de confiança para um exame aprofundado do ombro direito, e foi detectado que um parafuso antigo que fixava o osso, resultado de uma cirurgia no final de 2019, havia se curvado de tal forma que, ao realizar certos movimentos, tocava o nervo radial.

O resultado significava que Márquez estava correndo sem força no braço enquanto pilotava sua moto. Por esse motivo, o espanhol, juntamente com seus médicos, tomou a decisão de se submeter a uma cirurgia para remover o parafuso e limpar a área após o GP da Catalunha deste fim de semana.

Era para ser uma operação simples que, com um pouco de sorte, teria permitido a Marc retornar para o GP da Itália apenas 10 dias depois. Mas o plano, mantido em segredo pelo piloto e sua equipe, não deu certo. Já que Márquez teria que submeter a uma cirurgia por conta da fratura no pé, ele aproveitou e fez as duas de uma vez – mas a notícia da nova intervenção no ombro chamou a atenção dos fãs.

Como é costumeiro, a Ducati divulgou nesta quarta-feira (13) seu tradicional Inside Ducati, que mostra os bastidores da operação da equipe italiana a cada GP do calendário e, nele, pode-se ver um Márquez totalmente abatido após o acidente em Le Mans, onde ele finalmente revela a todos os membros da marca as limitações causadas por sua lesão no ombro. 

Márquez viu naquela queda e na necessidade de se submeter a uma cirurgia para tratar a fratura no pé uma oportunidade de realizar os dois procedimentos de uma só vez. Assim, ele pularia a corrida de Barcelona e se prepararia para retornar, seja na Itália em duas semanas, ou na Hungria em 7 de junho.

 

“Eu não tinha dito nada”, disse Márquez no vídeo divulgado pela Ducati, enquanto desaba, sentado em sua cadeira no box, e começa a chorar. “Há um parafuso que está causando problemas no meu ombro. Funciona, não funciona. Funciona, não funciona”, acrescentou ele, enquanto simulava as dores agudas”.

“É por isso que já tinha a cirurgia marcada para depois da Catalunha. Estou pilotando com um braço e meio”, confessa ele, com toda a crueldade que isso significa para um piloto. “Não tenho nada a provar”, disse ele.

Marc Márquez, Ducati Team

Foto: Ducati Corse

Na Ducati, a equipe destaca a velocidade formidável de Márquez, que nessas condições só conseguiu dar duas voltas rápidas. Na primeira, ele quebrou o recorde da pista (na Q1) e na segunda ficou a milésimos da pole position para o GP, que terminou nas mãos de seu companheiro de equipe, Francesco Bagnaia.

“Rápido, eu posso ser. Hoje fui rápido no Q1. O problema é que ando meio segundo mais lento do que o meu tempo de volta, então tento forçar e… é muito difícil”, continuou ele no vídeo. “Isso (o ombro) não está funcionando; dá para ver nos dados”.

“O corpo vem em primeiro lugar”, respondeu Gigi Dall’Igna, diretor-geral da Ducati, ao lado de Marco Rigamonti, engenheiro de pista de Marc – os únicos dois que sabiam sobre o ombro e que ele iria se submeter a uma cirurgia após Barcelona.

“Eu já aprendi isso”, respondeu Marc a Gigi, referindo-se ao erro que cometeu em 2020, quando voltou prematuramente e carregou essa má decisão por quatro anos. “Obrigado pelo apoio de toda a equipe”, concluiu o vídeo compartilhado pela Ducati.

Marc Marquez, Ducati Team

Marc Márquez, Ducati Team

Foto: Loic Venance / AFP via Getty Images

Forte como um touro

Márquez chegou a Jerez, em 23 de abril, garantindo que “estou fisicamente melhor do que nunca, não quero mais falar sobre a lesão; se não estiver rápido, a culpa é minha, não da lesão”, disse ele após passar quase um mês trabalhando arduamente em sua recuperação.

O problema é que a dor no ombro, a pontada no nervo, só o atingia quando ele estava em cima da moto, em determinadas posições e movimentos, e especificamente da MotoGP. Isso não acontecia com ele na academia, nem no motocross, nem em motos esportivas de menor potência.

Nem mesmo na pista de kart de Aragón, onde Márquez realizou um experimento para testar sua resistência física. Ao fazer uma sessão com uma Ducati V2 de 600 cc usando apenas um braço, o lesionado, ele conseguiu pilotar sem sentir dor. A dor só surgiu quando ele levou a Desmosedici ao limite; então, o parafuso tocou o nervo.

Depois de passar por uma cirurgia no último domingo, Márquez agora espera ter resolvido todos os seus problemas no ombro e começar, mais uma vez, a construir uma temporada em que ainda há muitas corridas e muitos pontos pela disputa.

“Já passei por situações piores do que esta”, disse ele em Le Mans.

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Fonte: UOL

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