Prof. Dr. Evanivaldo Castro Silva Junior
Professor da Fatec Jales (Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, e doutor em Engenharia Elétrica (USP/EESC)

Evanivaldo Castro Silva Junior

Professor da Fatec Jales (Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, e doutor em Engenharia Elétrica (USP/EESC)

Maternidade Cibernética

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Confesso que já li muita coisa sobre Inteligência Artificial (IA), afinal, quem não, mas recentemente fiquei abismado com uma matéria na qual Geoffrey Hinton, ganhador do Prêmio Nobel e professor emérito de ciência da computação na Universidade de Toronto, um dos principais expoentes mundiais sobre IA, aliás o Prêmio Nobel foi atribuído a ele devido as importantes contribuições no desenvolvimento das chamadas Redes Neurais Artificiais – RNA, argumenta que “é apenas uma questão de tempo até que a inteligência artificial (IA) se torne sedenta por poder a ponto de ameaçar o bem-estar dos seres humanos”.

Até aí, a despeito das teorias conspiratórias amplamente utilizadas nos filmes, como a saga “O Exterminador do futuro” (Terminator, produzido por Pacific Western Productions, 1984), é até razoável conceber tal possibilidade, afinal, normalmente as criaturas (os algoritmos) imitam o criador (humanos), mas o que realmente me deixou chocado é a solução por ele proposta de criar algum tipo de relação que de certa forma aguce nas IA’s, uma espécie de instinto materno para com nós humanos.

Se tal instinto pudesse ser transformado em algoritmo, as IA’s poderiam nos poupar de algum tipo de ataque já que em 99,9% dos casos, uma mãe não “destruiria/agrediria” um filho.

Duas colocações me chocaram. Primeiro a possibilidade cada vez mais real de sofrermos algum tipo de ataque de algoritmos que hoje estão crescentemente dominando o mundo, já que praticamente toda a tecnologia do mundo caminha para o uso de IA.

E em segundo, o fato de ser hipoteticamente possível digitalizar um instinto humano tão nobre, essencial a evolução da humanidade, um instinto que transcende à santidade, que é o da maternidade!

O pior é que, pesquisando um pouco mais sobre o assunto, isso já é uma realidade em andamento. Já existem empresas que têm trabalhado nessa vertente visando a “humanização” dos algoritmos de modo que seja cada vez mais difícil para os usuários, distinguir a diferença entre a interação com humanos ou com AI. Esse princípio é o chamado “Teste de Touring”.

Allan Touring, pai da computação moderna, teorizou que se um sistema (programa, app, algoritmo) for capaz de interagir com um ser humano de modo que não seja possível distingui-lo como artificial, então esse sistema se igualou ao humano. E o objetivo dessas empresas é esse mesmo, criar sistemas que atinjam tal “perfeição”.

Se isso vai ser possível, tenho pensado que a pergunta certa seria “quando isso será possível…”.

Talvez até já tenha sido feito e ainda não percebemos…

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