A principal diferença na movimentação dos presidentes está no caminho escolhido. Em 2022, Bolsonaro apostou principalmente no corte de impostos. Agora, Lula decidiu subsidiar produtores e importadores de combustíveis.
O que Lula propôs
O governo federal anunciou uma medida provisória que autoriza subvenção de até R$ 0,8925 por litro de gasolina e de R$ 0,3515 por litro de diesel. Na prática, o governo vai pagar uma parte da conta para refinarias e importadores, com o objetivo de evitar que a alta internacional do petróleo seja repassada integralmente ao consumidor.
O valor máximo autorizado não significa, porém, que a gasolina ficará R$ 0,89 mais barata na bomba. Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, a estimativa inicial é de uma subvenção parcial entre R$ 0,40 e R$ 0,45 por litro de gasolina. Além disso, a gasolina vendida nos postos brasileiros não é pura, tem mistura de etanol anidro, o que reduz o efeito direto da medida sobre o preço final.
A nova intervenção ocorre em meio à disparada do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio. Segundo o governo, a cotação do Brent, referência internacional, subiu 48,7%, de US$ 72,48 para US$ 107,77, entre 27 de fevereiro e o fechamento da última terça-feira (12). O impacto fiscal estimado é de R$ 1 bilhão a R$ 1,2 bilhão por mês apenas para a gasolina. No diesel, a conta é de R$ 1,7 bilhão por mês.
Corrida eleitoral
O argumento oficial é evitar que um choque externo contamine a inflação brasileira. Mas, em ano eleitoral, combustível nunca é apenas combustível. Ele tem efeito direto no orçamento das famílias, aparece nos painéis dos postos a cada esquina e influencia o custo do frete, dos alimentos e do transporte. Por isso, quando o litro sobe, o desgaste político costuma ser imediato.