JPMorgan reduz recomendação para ações brasileiras e cita volatilidade eleitoral

MATHEUS DOS SANTOS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O banco JPMorgan reduziu nesta terça-feira (11) a recomendação para ações brasileiras de “overweight” (acima da média) para “neutra”. O relatório indica que a queda mais lenta nos juros e um processo de desinflação também mais demorado devem pressionar o mercado acionário brasileiro durante o restante do ano.

“Do ponto de vista doméstico, a forte queda dos juros que esperávamos no início do ano não se concretizou, e projetamos que a Selic encerre o ano em 13,75%, o que não deverá produzir um impacto significativo sobre as ações”, diz a instituição em relatório assinado pelos analistas Rodolfo Angele, Emy Shayo Cherman, Adrian E. Huerta e Diego Celedon.

O banco também menciona a volatilidade associada às eleições no Brasil. Segundo a instituição, em períodos eleitorais, a Bolsa brasileira tende a apresentar desempenho inferior.

“As perspectivas para a política econômica continuam incertas, já que quem vencer as eleições de outubro terá de lidar com taxas de juros reais elevadas e com déficit fiscal. Do ponto de vista mais técnico, o Brasil costuma apresentar desempenho inferior nos seis meses que antecedem as eleições”, afirma.

O banco vê uma disputa eleitoral competitiva e de resultado incerto. No relatório, os analistas consideram improvável o surgimento de um terceiro candidato competitivo que possa se colocar entre “os candidatos polarizadores Lula e [Flávio] Bolsonaro”. “Acreditamos que a eleição será um importante catalisador para a precificação dos ativos daqui para frente e preferimos manter uma posição neutra no período que a antecede.”

Para os analistas do banco, a economia brasileira tende a desacelerar nos próximos trimestres, com exceção do primeiro trimestre de 2027, quando a economia deverá ser beneficiada pela safra agrícola. A instituição também menciona um processo de desinflação mais lento do que o previsto, afetado pela alta dos preços do petróleo e pelos El Niño, além de uma possível piora no ciclo de crédito.

“Além disso, a proposta de reforma da escala 6×1, com o objetivo de reduzir a jornada de trabalho, representa outro potencial risco de alta para o IPCA, ainda que o momento de implementação e o repasse para os preços permaneçam incertos.”

O banco recomenda maior exposição a ações relacionadas a commodities, “pela maior visibilidade dos fluxos de caixa, pelo suporte dos preços e, em geral, pela menor sensibilidade às condições domésticas de crédito”.

“Evitamos ações domésticas cíclicas, nas quais os juros ainda elevados, uma desinflação mais lenta e uma possível piora do ciclo de crédito podem pressionar os resultados dos próximos trimestres”, afirma.

O banco também diz preferir ações com maior exposição internacional, em meio à volatilidade eleitoral e às incertezas macroeconômicas, além de empresas com melhora no desempenho dos lucros e um mix de produtos diferenciados, com itens de alta demanda. Entre as preferências, Embraer, WEG, Vale, Suzano, BTG e Itaú são citados como opções.

A perspectiva é de que o cenário macroeconômico continue pressionando as empresas no restante do ano, em contraste com o otimismo que predominava no início de 2026.

Em janeiro, o Morgan Stanley projetava, em um cenário favorável, alta de até 46% para a Bolsa brasileira, o que levaria o Ibovespa aos 250 mil pontos. A projeção considerava, entre outros fatores, o fim do ciclo de alta dos juros.

A guerra no Irã aumentou o temor de um repique inflacionário, especialmente por seus efeitos sobre os preços do petróleo, contribuindo para manter os juros em patamar elevado. Ao mesmo tempo, o alto endividamento das famílias tem freado o consumo.

O cenário já tem pressionado diferentes setores, como bancário e varejista. Os bancos sinalizaram maior cautela na concessão de crédito para reduzir o risco de calotes, enquanto empresas do varejo revisaram suas projeções para o restante do ano.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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