Sem dúvidas o assunto do momento que tem ocupado as principais pautas do jornalismo brasileiro, talvez mundial, tem sido as diversas ameaças com aumento de tarifas comerciais entre os Estados Unidos da América e diversos países e blocos do mundo, incluindo mais recentemente o Brasil e potencialmente os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã).
O chamado “tarifaço” tem sido um instrumento de política externa Norte-americana que, segundo especialistas, fazem parte de uma “estratégia de negociação” utilizada pelo governo Trump desde a sua última eleição.
Se essa “estratégia” vai funcionar, ou mesmo se ela é válida, muitas discussões pró e contra estão, e continuarão sendo deflagradas, visando analisar os possíveis cenários futuros mas um provável consenso entre essas discussões certamente é o fato de que as consequências a médio prazo poderão redesenhar o comércio mundial ainda nesse primeiro quarto de século.
Guerras comerciais têm sido travadas há séculos, mas talvez a principal característica da guerra atual é o envolvimento de praticamente todas as principais nações e blocos econômicos do planeta. Quem vai ganhar? Por enquanto essa é uma pergunta difícil de responder até porque, aparentemente, no momento todos tendem a perder.
Recorrendo à História e tomando como exemplo o fechamento do comércio no Mar Mediterrâneo no século VIII que durou até o final da Idade Média, tal intervenção alterou totalmente o comércio e as relações comerciais entre a Europa, a Ásia e o Norte da África.
O comércio Europeu que dependia em grande parte das chamadas especiarias adquiridas na Índia, teve que buscar rotas alternativas com o desenvolvimento da circunavegação da África e da Terra, o que por sua vez causou a descoberta da América com futura exploração dos recursos vegetais e minerais do novo continente, redesenhando completamente o comércio, o mapa e a própria geopolítica do planeta no início do século XVI.
Talvez o principal legado dessas guerras comerciais tenha sido a ruina do Império Bizantino e o nascimento de potências imperiais, entre elas Espanha, Portugal, Países Baixos e Grã-Bretanha, superpotências comerciais que se mantiveram como tal até o final do século XIX.
Atualmente todos os cantos do planeta são conhecidos e acessíveis pelas mais variadas rotas terrestres, náuticas e aéreas e outras nações tomaram o posto de superpotências sendo que a principal delas, os Estados Unidos da América, parece querer manter-se neste patamar a todo custo.
Sob a ameaça de potências emergentes, como as que fazem parte do BRICS, ou das economias já consolidadas como as da Comunidade Europeia, ou ainda das Asiáticas lideradas pela China, além do Canadá e Japão, o Estados Unidos agem com uma estratégia de “tumultuar ao máximo, o máximo de nações para causar o máximo de caos” para assim, quem sabe, manter o status quo do século XX.
Se vai dar certo e a qual custo, somente o tempo poderá dizer.



