Google entra na mira por uso de conteúdo jornalístico em IA

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O Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou por unanimidade, nesta quinta-feira (23), a abertura de um Processo Administrativo Sancionador (PAS) contra o Google.

A investigação apura se a gigante de tecnologia praticaria “abuso exploratório de posição dominante” ao utilizar conteúdos jornalísticos para alimentar suas ferramentas de Inteligência Artificial (IA) sem a devida contrapartida. Em resposta, a big tech afirmou que a decisão reflete uma “compreensão equivocada” sobre o funcionamento de seus produtos.

Embora o inquérito tenha origem em 2018, segundo o Cade, com a coleta automatizada de dados para resultados de busca, o cenário mudou com a chegada da chamada “IA generativa”. A análise focava na exibição de títulos e trechos (snippets) que afetavam o tráfego dos veículos.

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O voto do presidente interino do Cade, Diogo Thomson, destacou que a IA generativa agora sintetiza informações diretamente na interface de busca, podendo “canibalizar” a audiência de produtores originais sem enviar a audiência para o produtor original do conteúdo, que demanda “pesados investimentos”.

“Dependência estrutural”

O Cade identificou que veículos de comunicação dependem “criticamente” do Google para alcançar o público, o que permite a “imposição unilateral” das condições do negócio pela plataforma, sem contrapartidas proporcionais. A tese central é de que o Google extrai valor econômico de conteúdos de terceiros sem oferecer a remuneração devida, aproveitando-se desta “assimetria negocial”.

A Superintendência-Geral e o relator haviam sugerido o arquivamento do caso por falta de indícios. Contudo, o pedido de vista de Thomson reorientou o tribunal diante dos novos avanços tecnológicos.

“A decisão é um marco histórico. Pela primeira vez, investigará a fundo no Brasil o abuso de poder ou dependência econômica digital”, disse Marcelo Rech, presidente-executivo da ANJ.

Impacto no jornalismo

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) celebrou a medida, classificando-a como essencial para a sustentabilidade do jornalismo e a defesa da democracia. Para a entidade, o uso de IA pelo Google sem critérios de compensação ameaça a viabilidade financeira das empresas que investem na produção de informação de qualidade.

Com a decisão, os autos retornam à Superintendência-Geral para o aprofundamento das investigações sob a nova ótica de mercado digital, informou o Cade.

O que diz o Google

Ao tomar conhecimento da decisão do Cade, o Google afirmou, por meio de nota de sua assessoria de imprensa à Gazeta do Povo, que acredita que a decisão reflete uma “compreensão equivocada” sobre o funcionamento de seus produtos e o valor que eles geram aos veículos de imprensa.

“Em um mundo onde as preferências dos usuários estão evoluindo, o AI Overviews foi projetado para mostrar links para uma ampla variedade de resultados, criando novas oportunidades para que sites relevantes e conteúdos diversos sejam descobertos. Temos um compromisso com a web aberta e continuamos enviando bilhões de cliques para websites diariamente. Seguiremos dialogando com o Cade para esclarecer quaisquer dúvidas sobre o nosso produto”, declarou a empresa.

Atualização

O texto foi atualizado com o posicionamento do Google sobre o aprofundamento das investigações.

Atualizado em 25/04/2026 às 09:02

Fonte: Gazeta do Povo

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