Figueiredo desiste de participar de audiência sobre taxas nos EUA

O empresário e influenciador Paulo Figueiredo anunciou nesta segunda-feira (6) sua desistência de participar do Comitê da Seção 301 do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). O encontro está marcado para terça-feira, e Figueiredo disse que teve a intenção de dar mais destaque ao senador e aliado Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

“Tenho certeza de que o Flávio vai brilhar e nos representar”, declarou Figueiredo no X, na mesma mensagem em que anunciou a desistência de comparecer. Em vez disso, Figueiredo afirmou que enviará uma contribuição por escrito. Ele proporá que os EUA voltem a aplicar a  a Lei Magnitsky  a “alvos direcionados”, conforme antecipou em seu discurso, ao qual a Gazeta do Povo teve acesso.

A investigação americana do USTR analisa políticas do Brasil no comércio digital, na proteção da propriedade intelectual, na produção de etanol, no desmatamento ilegal e no combate à corrupção. Figueiredo, que reside nos EUA e foi alvo de sanções e processos do Supremo Tribunal Federal (STF) — em especial do ministro Alexandre de Moraes — devido às suas ações em solo americano, argumentará que a imposição de “tarifas generalizadas” seria um “erro estratégico” que atinge os alvos errados.

Mais especificamente, Figueiredo pedirá que o governo dos EUA voltasse a incluir o ministro do STF Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci, no rol de sancionados pela Magnitsky, além do decano da Corte, Gilmar Mendes.

“O ministro Gilmar Mendes, membro mais antigo do Tribunal e principal fonte de apoio político do ministro Moraes dentro da Corte, desempenhou um papel central e publicamente reconhecido no desmantelamento judicial da Operação Lava Jato e reivindicou expressamente suas consequências políticas — afirmando que figuras de todo o espectro político, incluindo expressamente o presidente Lula, ‘estão aqui apenas porque o Supremo Tribunal Federal confrontou a Lava Jato'”, especificou o jornalista no documento enviado ao governo americano.

De acordo com Figueiredo, a aplicação da Lei Magnitsky seria mais efetiva do que a imposição das tarifas de 25%, uma vez que estas seriam utilizadas como capital político passível de pavimentar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo o jornalista, o mais importante seria que a medida “não afeta os responsáveis” pelas ordens secretas de censura contra plataformas e cidadãos americanos. Em vez disso, o ônus financeiro recairia sobre os exportadores brasileiros, consumidores e importadores americanos, além dos próprios cidadãos, que já “sofrem com a censura”.

“A tarifa de 25% pune as vítimas dessa conduta, recompensaria seus autores e avançaria no oposto da própria estratégia hemisférica declarada dos Estados Unidos”, afirmou Figueiredo.

Participação de Flávio

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), faz amanhã (7), em Washington, a defesa das empresas brasileiras contra as sobretaxas sinalizadas pelo governo americano.

Segundo sua equipe, Flávio terá cinco minutos para discursar na audiência, com início previsto para as 11h (horário de Brasília). Ele será o primeiro a falar no painel 8, que terá ainda a participação de Roberto Azevêdo, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), e de Letícia Sperb Masselli, representando a “Abicalçados”. Ambos também farão pronunciamentos na audiência, destacando que a taxação eleva os custos para as empresas e reduzirá investimentos e empregos no país.

A sessão é a última etapa da investigação comercial aberta pelo governo americano antes da decisão definitiva, prevista para 15 de julho.

“Eu estou aqui para defender os interesses do povo brasileiro, mesmo sem ser o presidente do Brasil, ainda. E vejo notícias dizendo que posso atrapalhar. Estão de brincadeira! O Lula já atrapalhou e vai ser difícil reverter o estrago que ele causou”, afirmou Flávio, contra as tentativas dos petistas de desqualificar sua participação na audiência.

Gesto de “patriotismo”

A presença do senador no encontro foi descrita pelos aliados como um gesto de “patriotismo” e “defesa” das empresas, ao contrário das ações do presidente Lula, que podem ter motivado as sobretaxas americanas devido à conhecida postura ideológica antiamericana e a embates com o presidente americano Donald Trump.

“Vim fazer a minha parte para defender o Brasil (…). Vou defender o Pix, que foi criado no governo do presidente Bolsonaro e promoveu a inclusão de milhões de brasileiros no sistema bancário, principalmente os mais humildes, que fazem agora o Pix com segurança e sem taxas. O Pix é sagrado para todos nós, brasileiros”, disse Flávio, em Washington.

Favorecimento a Lula

O senador defende que as atuais sobretaxas também interessam e favorecem o presidente Lula, já que o governo petista preferiria protelar negociações sérias e provocar o governo americano para gerar uma retaliação com punição às empresas brasileiras.

“Na minha opinião, o comportamento de Lula é deliberado para atrair as tarifas. Ele é o principal fator de risco para o Brasil ser tarifado”, concluiu o senador.

Fonte: Gazeta do Povo

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