
O partido de esquerda Juntos por el Perú, do candidato presidencial Roberto Sánchez, pediu nesta quinta-feira (11) a anulação de votos no exterior após Sánchez ser superado por Keiko Fujimori, candidata da direita, na reta final da apuração do segundo turno da eleição para presidente do Peru.
Segundo contagem do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe), órgão responsável pela apuração, Fujimori aparece neste momento com 50,002% dos votos, contra 49,998% de Sánchez, com mais de 98% das atas eleitorais contabilizadas. A diferença entre os dois candidatos neste momento é de menos de mil votos, em uma das disputas mais apertadas da história recente do país. A candidata de direita lidera no voto no exterior, com 63,4% dos votos.
O Juntos por el Perú apresentou pedidos de nulidade que atingem centenas de colégios eleitorais de votação no exterior, incluindo 647 colégios instalados nos Estados Unidos. O partido acusa supostas irregularidades nestes locais, como intervenção indevida de funcionários da chancelaria peruana e orientação de eleitores em favor de Fujimori.
Nos Estados Unidos, Fujimori teve ampla vantagem sobre Sánchez. Segundo os dados oficiais da apuração, a candidata do partido Fuerza Popular recebeu 44.440 votos no país, o equivalente a 76,559%, enquanto Sánchez obteve 13.607 votos, ou 23,441%.
O partido de Sánchez também pediu a anulação de mais de 1.700 atas de votação no Peru. Conforme o recurso apresentado ao Jurado Nacional de Eleições (JNE), a legenda de esquerda afirma ter identificado padrões de votação que considera “estatisticamente impossíveis” e que indicariam suposta adulteração das atas.
A campanha de Fujimori rejeitou as acusações. Segundo Luis Dyer, chefe de fiscais do Fuerza Popular, os pedidos de nulidade não têm fundamento legal e atingem atas assinadas por representantes do próprio Juntos por el Perú. Ele afirmou que o processo eleitoral foi limpo e que a equipe jurídica do partido está preparada para responder aos recursos.
Após a virada sobre Sánchez, Keiko Fujimori adotou tom cauteloso. A candidata afirmou que será “prudente” e que aguardará o resultado final da apuração dos votos antes de se pronunciar sobre o processo eleitoral. Ela também disse que Sánchez tem direito de apresentar pedidos de nulidade, embora tenha afirmado não ver motivo para isso.
Enquanto liderava a apuração, Sánchez disse que aceitaria os resultados da eleição, mas, após sofrer virada na contagem dos votos, passou a falar em supostas “manobras” para alterar “a vontade democrática”.
A eleição no Peru ainda não tem resultado definitivo. Parte das atas estão neste momento em análise dos órgãos eleitorais, e a definição oficial do novo presidente do país pode depender da revisão desses documentos.