Prof. Dr. Evanivaldo Castro Silva Junior
Professor da Fatec Jales (Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, e doutor em Engenharia Elétrica (USP/EESC)

Evanivaldo Castro Silva Junior

Professor da Fatec Jales (Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, e doutor em Engenharia Elétrica (USP/EESC)

Entre a bolha da IA e a nova Guerra Fria: o que esperar do horizonte de 2026

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O ano de 2025 mal acabou e as projeções para 2026 já ofuscam os importantes acontecimentos que marcaram o primeiro quarto do século XXI. Seria difícil, para não dizer desafiador, resumir 2025 em um artigo, mas certamente foi um ano marcante.

Avanços tecnológicos, mudanças significativas na economia mundial, guerras aparentemente intermináveis e rupturas que sugerem uma nova ordem na geopolítica global marcaram um período que, sem dúvida, encerra o ciclo inicial deste século.

Na tecnologia, a onipresença da Inteligência Artificial (IA) em tudo o que envolve comunicação definiu o destino dos sistemas de informação — e aqui entenda-se tudo o que abrange computadores e artefatos similares (máquinas, equipamentos, PCs, celulares, web, redes sociais, etc.). Obviamente, este é um caminho sem volta, gostemos ou não; o que nos resta é nos adaptarmos a essa nova forma de vida, buscando, preferencialmente, a simbiose.

A macroeconomia mundial fechou o ano com propostas de mudanças de paradigmas ou, ao menos, tentativas nesse sentido. A Europa está cada vez mais pressionada pelas consequências da guerra na Ucrânia; a América Latina busca aproximação com outros mercados (Europa, Oriente Médio e Ásia) frente às retóricas e ameaças — algumas reais — desferidas pelos Estados Unidos; e a China afirma-se definitivamente como a nova liderança do comércio mundial.

Na geopolítica, o desprezo pelas legislações e pelos pactos internacionais, somado às tentativas de sobrevivência imperialista, marcou o que possivelmente representará o “início do fim” de uma era e o surgimento de uma nova ordem. Nesse ínterim, China, Estados Unidos e os demais “peões” do tabuleiro global deram início a uma nova pré-Guerra Fria.

Tudo isso, claro, associado às crises climáticas, à transição energética (mesmo com as resistências ao processo), às tensões comerciais e econômicas — incluindo a possibilidade de uma “bolha de IA” — e a problemas ambientais permanentes, desenha um horizonte de tonalidades acinzentadas.

O otimismo preza para que esse “cinza” seja dissipado, mas 2026 iniciou dando sinais de que muitas tempestades, infelizmente, ainda estão por vir. Venezuela, Colômbia, México, Irã e Groenlândia estão no radar de instabilidades.

Se o cenário global desenha um horizonte acinzentado, o Brasil caminha para um 2026 de cores intensas e contrastantes. Entre o apito inicial da Copa do Mundo e o fervor das urnas para a Presidência e o Congresso, o país se verá testado em sua resiliência institucional e econômica. Estaremos prontos para surfar a onda tecnológica e manter a neutralidade estratégica, ou seremos tragados pelas tempestades externas?

Esse é o tabuleiro que começaremos a analisar em nosso próximo encontro.

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