Dólar sobe com empate entre Flávio e Lula; Bolsa cai com avanço do fim da escala 6×1

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Ibovespa recua nesta quinta-feira (15), pressionado pelas incertezas eleitorais e pela preocupação com os custos das empresas após o avanço, no Senado, da proposta que prevê o fim da escala 6×1. Às 13h48, o principal índice da Bolsa brasileira caía 0,34%, aos 205.798 pontos, em recuperação após passar as primeiras horas do dia em queda mais acentuada.

A nova pesquisa Quaest mostrou empate técnico entre o senador Flávio Bolsonaro (PL), com 46% das intenções de voto, e o presidente Lula (PT), com 44%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Votos em branco ou nulo somaram 9%, enquanto 1% dos entrevistados se declarou indeciso.

Entre as ações que abriram o dia em queda e passaram a subir está a do Magazine Luiza, que avançava 2,30% às 13h50, após recuar 4,48% na véspera. Para Thiago Valencia, sócio da Valor Investimentos, ainda é cedo para atribuir a recuperação dos papéis a um fator específico. Ele cita, porém, um relatório do JPMorgan que demonstra otimismo com os setores de varejo e saúde no Brasil.

O analista afirma ainda que o mercado ainda digere indicadores recentes, como a inflação americana acima do esperado e as vendas do varejo brasileiro abaixo das expectativas. A esses fatores se somam as preocupações com a proposta de redução da jornada de trabalho e as incertezas eleitorais.

Para Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, a combinação das incertezas eleitorais com a preocupação sobre os custos das empresas tende a pressionar os ativos brasileiros. O mercado vê com bons olhos uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, pela expectativa de maior compromisso com o ajuste fiscal.

No mercado de câmbio, o dólar subia 0,50%, cotado a R$ 5,055, na contramão do movimento no exterior. Às 13h54, o índice DXY, que mede a moeda americana em relação a uma cesta de divisas fortes, recuava 0,44%.

Para Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, a aprovação da proposta do fim da escala 6×1 reacendeu o debate sobre os custos trabalhistas, a produtividade das empresas e os possíveis efeitos fiscais. Somada à incerteza eleitoral, a discussão tende a aumentar a volatilidade dos mercados brasileiros. A agenda política desta quinta inclui ainda a sabatina de Lula na Globo e a divulgação de uma nova pesquisa Datafolha.

Um estudo da Warren Investimentos estima que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas poderia elevar o IPCA em 0,38 a 0,42 ponto percentual ao longo da implementação da medida. Segundo a análise, a redução das horas trabalhadas sem corte proporcional dos salários aumentaria o custo por hora de trabalho. Com isso, parte dessa despesa poderia ser repassada aos preços.

A queda do Ibovespa também reflete o recuo das ações da Petrobras, apesar da recuperação dos preços do petróleo no mercado internacional. Após começar o dia em forte baixa, o barril do Brent, referência global para a commodity, caía 0,01% às 13h57, cotado a US$ 106,04.

Gabriel Mota, analista de renda variável da Manchester Investimentos, adiciona que a Bolsa já vinha perdendo força desde a véspera (14). Segundo ele, a pesquisa Quaest divulgada na noite anterior contribuiu para uma realização de lucros, após a valorização recente de ações com a perspectiva de mudança de governo. O movimento, afirma, também reflete um cenário externo desfavorável, marcado pelas tensões no Oriente Médio e pelas pressões inflacionárias nos EUA.

Os juros futuros brasileiros operavam em alta. Na ponta curta da curva, os contratos com vencimento em janeiro de 2028 eram negociados a 12,830%, com avanço de 0,12 ponto percentual. Na ponta longa, os contratos para janeiro de 2035 estavam em 12,745%, com variação de 0,13 ponto percentual.

O movimento ocorre na direção contrária à dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, que servem de referência para o mercado global de juros. Os títulos de dez anos tinham rendimento de 5,087%, com queda de 1,90%, enquanto os de 30 anos rendiam 5,424%, com queda de 1,79%.

Ainda no cenário doméstico, o IBGE informou que as vendas no varejo cresceram 0,1% em agosto ante julho e 0,4% na comparação com o mesmo mês de 2025. Os resultados ficaram abaixo das expectativas de economistas consultados pela Reuters, que projetavam alta de 0,7% na comparação mensal e de 1,45% em um ano.

No exterior, o destaque da agenda econômica é a divulgação do PPI (índice de preços ao produtor) de setembro nos Estados Unidos. O indicador mede a variação dos preços recebidos pelos produtores e ajuda a monitorar as pressões inflacionárias na economia americana, oferecendo pistas sobre os próximos passos do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos).

O PPI subiu 1,3% em setembro, bem acima da expectativa do mercado, de 0,5%, após alta de 0,5% em agosto. Foi a maior alta mensal desde março de 2022. Em 12 meses, o índice acelerou para 6,3%, ante 5,6% em agosto e expectativa de 5,3%, atingindo o maior patamar desde dezembro de 2022. O núcleo do indicador, que exclui componentes mais voláteis, como alimentos e energia, subiu 0,7% no mês, acima da projeção de 0,3%, e acumulou alta de 5% em 12 meses, ante expectativa de 4,4%.

Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, os dados mostram que as pressões sobre os preços nos EUA seguem fortes. “A energia é o principal vetor, como já havia sido no CPI de setembro, mas o núcleo também veio acima da projeção, sinal de que o movimento não se limita aos combustíveis”, diz.

Em Wall Street, as Bolsas operavam sem direção única. Às 14h, o Dow Jones subia 0,84%, enquanto o S&P 500 tinha alta de 0,10% e o Nasdaq caía 0,42%.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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