DNA no Santo Sudário revela marcas de séculos de contato e novas pistas

Uma análise genética avançada identificou uma grande variedade de materiais biológicos no Santo Sudário, revelando pistas sobre por onde a relíquia passou ao longo dos séculos. O estudo, publicado na Scientific Reports, encontrou DNA humano de diversas linhagens, além de rastros de plantas e animais. Embora a pesquisa não date o tecido, ela ajuda a reconstruir a história de exposição ambiental do objeto.

Quais tipos de DNA humano foram encontrados na relíquia?

Os pesquisadores identificaram diferentes linhagens de DNA mitocondrial, que é o material genético passado de mãe para filhos. Entre os tipos encontrados estão grupos comuns na Europa Ocidental e no Oriente Médio. No entanto, um detalhe curioso chamou a atenção: uma das linhagens era idêntica à de um dos médicos que coletou amostras do tecido em 1978. Isso prova que o contato humano frequente ao longo dos anos torna muito difícil separar o que é material genético antigo do que foi deixado por pessoas que tocaram ou examinaram o pano em tempos recentes.

O que a presença de plantas e animais revela sobre o Sudário?

A análise encontrou vestígios de plantas como trigo, milho, banana e cenoura. A presença de espécies que só chegaram à Europa após as viagens de Colombo e Marco Polo indica que o tecido esteve exposto a ambientes variados em períodos modernos. Também foi detectado DNA de animais domésticos como cães, gatos e cavalos, além de um achado marcante: o coral-vermelho, típico do Mar Mediterrâneo. Essa mistura sugere que o tecido viajou por diversas regiões ou foi manuseado por pessoas que tiveram contato com esses seres, funcionando como um diário biológico de viagens.

Como a ciência explica o microbioma encontrado no tecido?

Os cientistas identificaram um rico microbioma, que é um conjunto de microrganismos como bactérias e fungos. Muitas dessas espécies são típicas da pele humana, reforçando o histórico de manipulação da peça. Outro ponto interessante foi a descoberta de arqueias, microrganismos que conseguem sobreviver em ambientes com muito sal. Esse dado reforça a tese de exposição a locais específicos, mas os especialistas alertam que o DNA encontrado representa uma sobreposição de séculos de exposição, o que exige cautela na hora de interpretar cada sinal biológico isoladamente.