Prof. Dr. Evanivaldo Castro Silva Junior
Professor da Fatec Jales (Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, e doutor em Engenharia Elétrica (USP/EESC)

Evanivaldo Castro Silva Junior

Professor da Fatec Jales (Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, e doutor em Engenharia Elétrica (USP/EESC)

Dia dos Professores 2025: Será que Ainda Dá Para Ver o “Copo Meio Cheio”?

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O mês de outubro está chegando ao fim e devido às importantes datas comemorativas presentes no calendário, vai deixando uma sensação de final de ano.

Infelizmente, para uma das datas comemorativas mais significativas de outubro, o Dia dos Professores, o ano de 2025 fecha com pouco a se comemorar, pelo menos no que diz respeito às condições trabalhistas desses profissionais que a cada ano vêm sofrendo mais com os imensos desafios impostos por uma sociedade cada vez mais insensível e hostil à missão docente.

Como professor há 25 anos, e como estudante há 50, sempre procuro ver o “copo meio cheio”, uma espécie de autoafirmação necessária à preservação da espécie, mas confesso que não sei ao certo até quando vamos manter essa visão otimista.

Muitos são os desafios à classe profissional dos professores, incluindo desde questões salariais, questões referentes às condições do emprego, sejam eles públicos ou privados, qualidade de vida, manutenção de formação continuada, reconhecimento, respeito e até mesmo segurança.

E quanto à segurança? Algo inimaginável antes dos anos 80 é, hoje, uma infeliz realidade que assombra nossas escolas e estabelecimentos de ensino em todo o Brasil. O medo virou material didático.

Para não citar os vários casos de agressão que ocorrem no país afora, destaquemos um triste episódio ocorrido na semana passada com um professor que foi brutalmente agredido em uma escola de Guará, Distrito Federal.

O palco da tragédia foi uma sala de aula onde, após ser repreendida por um professor de matemática quanto ao uso inconveniente do celular dentro da sala de aula, que por sinal estava atrapalhando não somente o desenvolvimento da aula, mas também o acompanhamento dos demais estudantes, uma aluna ligou para o pai relatando “cerceamento de liberdade” associado a “exposição humilhante frente aos colegas de sala”.

O resultado creio que todos viram filmado e disponibilizado em redes sociais, que foi a brutal agressão ao docente, com uma demonstração de total desrespeito a autoridade do professor, dos dirigentes da escola e dos adolescentes colegas de turma, o que aliás causou pânico na turma e na própria filha do agressor que, no final, até mostrou aparente compaixão com o agredido.

Difícil escolher palavras para descrever o que estamos passivamente assistindo nas redes sociais. Um “circo de horrores!”, talvez. A total desconstrução da sociedade, provavelmente. O início do fim.

O pai agressor está livre, aliás não chegou a ser foi preso, mantendo uma postura vitimizada, passível até, de ser indenizado por “danos morais” uma vez que também foi exposto tendo a “honra de sua filha afetada”.

O desfecho final da questão é um pai totalmente livre, já que a sociedade chancela atitudes como essa gerando impunidade; uma escola provavelmente assustada mediante a vulnerabilidade que o sistema permite; e um professor que deixará o cargo pedindo exoneração, inclusive relatando que pretende deixar o país.

Está cada vez mais difícil ver o “copo meio cheio”.

Mesmo assim, FELIZ DIA DOS PROFESSORES!

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