Chegamos a mais um Dezembro Laranja, um mês de prevenção contra o câncer de pele. As neoplasias de pele são categorizadas principalmente entre dois grupos: Câncer de pele não melanoma e Câncer de Pele melanoma.
O câncer de pele é a principal neoplasia que acomete os seres humanos, na estimativa INCA (Instituto Nacional do Câncer) 2023-2025, estima-se que teremos aproximadamente 220.490 casos novos por ano de câncer de pele não-melanoma, de 8.980 casos novos por ano de melanoma. Ou seja, a patologia maligna mais comum no ser humano.
Somente esses dados já mostram a magnitude desse problema de saúde pública. O câncer de pele ainda compromete a qualidade de vida, no âmbito social, deixando estigmas e cicatrizes e apresentando em alguns casos doenças recorrentes devido ao dano crônico e acumulado na pele por anos.
A minha geração vem de uma cultura dos corpos bronzeados, cultura essa que visava a submeter nossa pele ao constante dano dos raios solares tanto UVA e UVB, através de horas a fio, a fim de conseguir o corpo perfeito. Porém, isso tem um preço, neoplasias de pele, envelhecimento após anos dessa prática.
Até há algum tempo atrás ainda era um costume de utilizar de câmaras de bronzeamento artificial. Prática essa proibida pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que em 2009, proibiu a utilização, fabricação e comercialização desses equipamentos, através de diversos documentos científicos que mostram os malefícios na resolução RDC n 56/2009.
A Radiação Ultravioleta é uma forma de radiação não ionizante, emitido tanto pelo sol quanto por dispositivos artificias. A Radiação Ultravioleta (UV) é dividido em 3 tipos primários (radiação UVA, UVB e UV-C), baseando-se no comprimento de onda.
A Radiação UVA está associada ao envelhecimento cutâneo e estresse oxidativo, gerando radicais livres, penetra profundamente na pele,
A radiação UVB, associada a queimaduras solares, relacionada a melanoma e câncer de pele não melanoma, atingindo principalmente a epiderme, provoca dano direto ao DNA. A radiação UV-C é absorvida pela atmosfera.

Devemos Derrubar os 12 Mitos sobre o câncer de pele que são eles:
1- Céu nublado não queima, não causa câncer: é um mito. O sol produz radiação UV de maneira constante, consegue danificar a pele. Devemos nos proteger mesmo em dias chuvosos (roupas adequadas e protetor solar).
2- Só preciso passar protetor solar uma vez ao dia: mito
Como qualquer medicação o protetor solar deve ser utilizado na dosagem e medida correta. Sabemos que o suor e o tipo de pele e contato com água influenciam na eficácia do protetor solar. Quando ir na água, passar o protetor solar novamente, após atividade física com muito suor, repassar o protetor solar. Em dias normais passar pelo menos 3 vezes ao dia.
3- Pessoas de pele escura não tem câncer de pele: mito
Os negros mesmo tendo proteção pela melanina conferindo menor incidência de casos, porém vários estudos mostram que devido a esse mito ou fatores culturais as pessoas com pele negra apresentam casos mais graves e avançados.
Um hábito que devemos adotar é realizar pelo menos uma vez ao mês, o autoexame da pele, incluindo regiões de difícil exame como: costas, dedos das mãos e pés, planta dos pés e palma das mãos. Em alguma dificuldade solicitar ajuda a algum acompanhante e identificar manchas, lesões que sangram, coçam ou mudam de cor, sempre procurar um profissional especializado.
Outro aspecto que devemos ressaltar é procurar profissionais especializados. Estamos passando por uma fase de profissionais que não apresentam qualificação adequada e
4- Câncer de pele só acontece em quem tomou muito sol: mito
Existe sim uma correlação entre o tipo de exposição solar e o aparecimento de câncer de pele. Por exemplo a exposição crônica (tanto por lazer ou ocupacional) podem gerar o carcinoma espinocelular ou o carcinoma vaso celular. Nas exposições ao sol agudas onde os pacientes fazem queimaduras na pele, há uma incidência aumentada de melanoma. Porém, existem algumas condições genéticas como os filhos da lua (xeroderma pigmentoso), pouca exposição solar pode gerar câncer de pele.
5- Câncer de Pele não acontece em jovens e adolescentes: mito
O câncer de pele está ocorrendo cada vez mais em pacientes jovens, devido a exposição exagerada ao sol e falta de proteção adequada. Algumas condições genéticas podem aumentar e muito a incidência de câncer de pele como por exemplo: xeroderma pigmentoso e síndrome de gorlin-goltz.
6- Só preciso passar protetor solar quando ir na praia: mito
Devemos nos proteger sempre!
7- Câncer de Pele não mata: mito
O câncer de pele mata, principalmente em casos onde foi subestimado e tratado de forma inadequada por profissionais não treinados. Em 2020 ocorreram 2.653 óbitos de câncer de pele não melanoma e 1923 óbitos em câncer de pele melanoma no mesmo ano.
8- Câncer de pele só aparece em áreas expostas ao sol: mito
O câncer de pele tem preferência por áreas chamadas de fotosensíveis, porém podem aparecer em áreas como planta dos pés ou das mãos, mucosas, couro cabeludo ou região perineal.
9- Melanoma é sempre uma pinta escura: mito
A maioria dos melanomas tem componente extenso de melanina, daí o nome melanoma, porém existe melanomas de difícil diagnóstico, chamados melanomas amelanóticos, que são lesões rosáceas ou esbranquiçadas.
10- Câncer de pele sempre dói: mito
Na maioria das vezes o câncer não apresenta dor, somente quando está em estágios mais avançados, ou invadindo precocemente ramos dos nervos.
11- Bronzeado é saudável: mito
Não Existe bronzeamento seguro, sempre ocorre um dano celular.
12- Câncer de Pele é sempre fácil de tratar: mito
O câncer de pele, como qualquer neoplasia deve ser tratada de forma adequada, e é fundamental para o bom desfecho do caso o tratamento adequado desde do início, o que vemos com frequência em casos avançados é subestimar a gravidade do câncer de pele. Sempre procurar um profissional especializado e experiente.
Devemos sempre ter em mente o ABCDE do câncer de pele, que é um instrumento útil e difundido para identificação do câncer de pele melanoma segundo características das lesões na pele, que são:
- Assimetria,
- Bordas irregulares,
- Cor, apresentando múltiplas cores em uma mesma lesão,
- Diâmetro, maior que 6 mm,
- Evolução, mudança no tamanho, forma, cor e com sintomas (sangramento, dor ou coceira).
Em resumo devemos sempre nos proteger, pois a radiação UV é produzida pelo sol, de maneira constante e causa danos cumulativos que podem gerar processos neoplásicos e ter impacto na nossa qualidade de vida e sobrevida. Proteger é o ano todo.
Aqui é Sávio Costa de Paula, cirurgião oncológico e cirurgião de cabeça e pescoço, trabalhando no combate dos cânceres de pele.
Estamos à disposição para qualquer dúvida ou esclarecimento.