(UOL/FOLHAPRESS) – O Corinthians avalia a possível renovação com Memphis Depay como uma forma de reduzir a pressão da dívida com o jogador sobre o fair play financeiro.
O novo modelo da CBF limita o endividamento de curto prazo dos clubes em relação às receitas ordinárias. Um acordo com Memphis permitiria ao Corinthians reduzir e alongar a pendência.
CLUBE AGUARDA CONTRAPROPOSTA
A reportagem apurou que a avaliação interna do Corinthians muda caso o pacote da renovação seja reduzido de aproximadamente R$ 110 milhões para R$ 85 milhões. O segundo valor se aproxima dos R$ 77 milhões que o clube estima dever atualmente ao atacante, após a incidência de juros, multas e correção.
O Timão espera que o estafe do jogador encaminhe, nesta segunda-feira, uma nova proposta de renovação dentro dos termos discutidos no fim da última semana. O clube espera uma redução de cerca de R$ 25 milhões na pedida, desconsiderando ajuda de custo e verbas de marketing.
O departamento financeiro informou ao presidente Osmar Stabile que uma eventual execução da dívida por Memphis aumentaria as obrigações de curto prazo do Corinthians e afetaria a proporção estabelecida pelo sistema de fair play financeiro adotado pela CBF. Embora o modelo ainda esteja em período de aplicação, a leitura da área financeira do Timão é de que já haveria impacto no processo de adequação do clube às diretrizes.
CORINTHIANS QUER REDUZIR VALOR
O contrato de R$ 110 milhões recusado pelo Corinthians na última semana ainda é considerado por Stabile incompatível com a atual capacidade de pagamento do clube, segundo apuração do UOL. O pacote reunia salários, direitos de imagem, verbas de marketing, ajuda de custo, premiações e a repactuação da dívida anterior, com a retirada de juros e multas.
O fluxo de caixa do Corinthians está comprometido. O clube atrasou três dos quatro últimos salários CLT, ainda possui dívidas de direitos de imagem e premiações com o elenco e convive com três transfer bans.
Uma redução do pacote para R$ 85 milhões, no entanto, colocaria a negociação em outra condição, de acordo com a apuração do UOL. O Corinthians manteria Memphis no elenco e, ao mesmo tempo, repactuaria uma dívida que não possui caixa para quitar imediatamente.
Na avaliação interna, a diferença entre a repactuação da dívida com Memphis e a renovação do contrato seria inferior a R$ 10 milhões. O valor corresponde à diferença entre os R$ 77 milhões devidos pelo Corinthians ao jogador, montante admitido internamente, e o pacote de aproximadamente R$ 85 milhões discutido para incluir a permanência do atacante e o parcelamento da pendência.
Com o acordo, a dívida cairia para R$ 42 milhões, já que não haveria a cobrança de juros e outras adequações financeiras.
DÍVIDA ALCANÇARIA PRÓXIMA GESTÃO
O presidente Osmar Stabile manifestou internamente preocupação com a possibilidade de aprovar um contrato que deixaria obrigações para a próxima administração. Por isso, o dirigente deseja submeter ao Conselho de Orientação (Cori) um possível novo contrato com Memphis Depay.
Fontes ligadas ao Parque São Jorge, por outro lado, argumentam que parte da dívida será transferida para a próxima gestão independentemente da permanência do atacante.
O Corinthians teria de negociar novos prazos mesmo sem a renovação, pois não possui caixa para arcar com a pendência à vista. Além disso, o clube já antecipou boa parte das receitas, e o histórico financeiro da instituição impacta diretamente a capacidade de buscar crédito no mercado.
Dessa forma, a discussão interna passou a considerar as condições em que a dívida alcançaria os próximos exercícios. Com a renovação, o Corinthians poderia reduzir e alongar o passivo, além de manter Memphis no elenco. Sem o novo vínculo, teria de buscar uma repactuação específica para evitar a execução da dívida.
FAIR PLAY FINANCEIRO
Uma das pendências básicas monitoradas pelo fair play financeiro da CBF determina que o endividamento líquido de curto prazo não poderá superar 45% da receita líquida ordinária do clube.
Segundo fontes ligadas ao Corinthians, esse percentual está próximo de ser atingido já no cenário atual, principalmente porque a receita considerada no cálculo não inclui os valores arrecadados com a venda de ativos, que é justamente um dos principais recursos esperados pelo clube durante a janela de transferências do meio do ano para equilibrar as contas.
A conta considera receitas recorrentes, como direitos de transmissão e patrocínios. Dessa forma, uma eventual execução da dívida por Memphis aumentaria o passivo exigível no curto prazo e pressionaria essa proporção. Um acordo, por outro lado, permitiria fixar a dívida em um valor menor e distribuir os pagamentos por um período mais longo.
O gerente financeiro André Lavieri tem explicado constantemente esse cenário ao presidente Osmar Stabile, segundo apuração do UOL. Outras pessoas da área financeira também apresentaram esses argumentos ao mandatário corintiano, que inicialmente se mostrou convencido, mas posteriormente sinalizou um recuo na ideia.
