A jornalista e correspondente do Canal 12 em Fernandópolis Célia Souza conversou com a psicóloga Giovanna Caroline Pedroso da Silva sobre o assunto que ainda vem repercutindo: o vídeo de Felca sobre a adultização de crianças na internet. Segundo ela, um dos impactos é “idealização da infância nas redes sociais que promove padrões irreais de comparação”. Confira com exclusividade.
A adultualização pode gerar uma aceleração artificial do desenvolvimento, levando a criança a assumir papéis e responsabilidades emocionais para os quais não está preparada. Isso tende a fragilizar a construção da identidade, dificultando a diferenciação saudável entre “quem ela é” e “o que os outros esperam que seja”. Do ponto de vista da autoestima, a criança pode aprender a se avaliar mais pelo desempenho e pela aparência pública do que por qualidades internas, favorecendo insegurança e autocrítica.
A idealização da infância nas redes sociais promove padrões irreais de comparação. A criança ou adolescente que associa seu valor a curtidas e comentários torna-se mais vulnerável à dependência de aprovação externa, o que pode resultar em instabilidade emocional, maior ansiedade social e risco de depressão quando essa validação não ocorre.
A superexposição digital pode reduzir oportunidades de brincadeira espontânea, essencial para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional. A ausência desse espaço lúdico prejudica habilidades de autorregulação, criatividade e resolução de problemas, além de comprometer a aquisição de competências socioemocionais necessárias para relações saudáveis na vida adulta.

Giovanna Caroline Pedroso da Silva (psicóloga inscrita no CRP 06/217422, formada pela Universidade Anhembi Morumbi, especialista em análise comportamental pelo instituto neuro e pós graduanda em Terapia Cognitivo comportamental pela PUC-RS)