Por André Henrique e João Roberto Delattre
Ela Luta. Assim é chamado o movimento que busca desfazer o estigma de que o esporte de luta é um ambiente exclusivamente masculino. O objetivo é auxiliar as mulheres a superarem o medo de lesões para ocuparem seus espaços no esporte.
O movimento nasceu como iniciativa ao combate a desigualdade de gênero diante da presença, majoritariamente, masculina nos tatames. A academia Selva Centro de Lutas, dirigida por Pietra Sena, atleta com destaque internacional em muay thai, estruturou horários e treinos exclusivos para o público feminino e acolhe entre 40 e 50 mulheres que buscam modalidades que envolvam defesa pessoal.
Essa inclusão também engloba a presença de crianças neuro divergentes e com necessidades específicas, como jovens diagnosticados com autismo, e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade(TDAH). O atendimento adaptado proporciona ganhos motores e socioemocionais visíveis.
“Se você traz o seu filho para dentro do tatame, é uma oportunidade de ele crescer”, disse Pietra sobre o acolhimento de crianças especiais
Como a academia é focada estrategicamente para o atendimento de mulheres e crianças, prioriza-se a transmissão de princípios, valores e inteligência emocional, ao invés de apenas executar técnicas e golpes.
A vivência do esporte de alta performance é adaptada para as aulas regulares, que transforma a prática em um lifestyle e naquilo que Pietra define como uma escola para a vida.
“Hoje, a arte marcial, ela não é só muay Thai, boxe, kickboxing, não. É um estilo de vida, uma escola para vida. Então, a gente trazer o que a gente aprende, todos os dias para as outras mulheres, é algo como propósito, não só lutar por lutar”, disse a atleta
Pietra deixa claro que artes marciais não estimulam o comportamento agressivo, trata-se de uma ferramenta de combate à violência e disciplina as pessoas a autorregularem e ao controle de suas emoções.
Campanha
O movimento “Ela Luta”, que foi idealizado por Pietra, realizam uma série de edições, a primeira ocorreu no Paraíso do Goiás e a segunda em Sobradinho (DF), reunindo mais de 60 pessoas em um evento voltado para integrar a energia feminina.
Nesses eventos, utiliza-se práticas como o próprio muay thai, boxe e MMA como ferramentas para debater o protagonismo feminino, a autonomia e a ocupação de espaços.
Entretanto, segundo Pietra, o movimento não tem como propósito principal fazer uma formação obrigatória de atletas de alta performance, mas sim, ter uma liderança feminina à frente que encoraje outras mulheres.
“O movimento surgiu com a necessidade de trazer as mulheres para perto, não para que se tornem atletas nem nada do tipo, mas ter alguém à frente puxando elas para esse momento” afirma
Pietra pretende expandir sua metodologia por Brasília e usar a arte marcial como ferramenta para transformar vidas, aproximar pessoas e fortalecer a inclusão de mulheres e crianças.
Seu principal objetivo é consolidar a carreira no MMA, ingressar no UFC e conquistar o cinturão da organização, que expressa sua determinação com intensidade.
“Eu vou me tornar campeã. Não tenho dúvida disso” declara