“Nunca perdi nenhuma [eleição] no segundo turno”, disse Lula no discurso da vitória neste domingo (25). Fernando Collor, que venceu o petista em 1989, com certeza discorda. Mas apagar uma derrota do próprio currículo foi apenas uma das várias lorotas do pronunciamento — o mesmo em que o presidente, ironicamente, festejou a “derrota da mentira”.
Em cima do palanque, Lula voltou a assustar o eleitor com a privatização do SUS, culpou as big techs pelas dificuldades na campanha, atacou Flávio Bolsonaro e tentou distorcer a Constituição para tirar o corpo fora na questão do combate ao crime. Quem esperava um discurso de união nacional viu apenas uma repetição da velha cartilha do PT: criar inimigos imaginários, lançar acusações sem prova e mentir sem a menor cerimônia.
A seguir, selecionamos cinco declarações de Lula que mostram como a verdade passou longe do discurso da vitória.
1. A privatização inventada
“Uma das coisas que mais me motivou é a gente não permitir que essa gente ganhasse para privatizar o nosso SUS.”
O plano de Flávio protocolado na Justiça Eleitoral prometia valorizar o programa Saúde da Família, pagar melhor os médicos pelo SUS e usar clínicas particulares conveniadas para zerar a fila de exames. Em vez de discutir a proposta, Lula preferiu espalhar o boato de que o senador queria vender a saúde pública, posando de salvador de um sistema que o próprio adversário propôs reforçar.
2. Vítima de uma conspiração
“A gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro através de plataformas digitais.”
A Meta, dona do Instagram e do WhatsApp, admitiu erros técnicos que atrapalharam os anúncios do PT, mas uma falha de sistema está longe de significar um plano internacional para beneficiar a oposição. O próprio TSE destacou que não havia indício algum de sabotagem intencional por parte da empresa — uma informação que o presidente preferiu ignorar para posar de vítima de uma conspiração.
3. Impostos que ele finge não ver
“Nós não podemos ter empresas [de tecnologia] monstruosas de grande porte, ganhando milhões e bilhões, não pagando nenhum imposto para esse país”
As big techs pagam, sim, tributos no Brasil. A Meta, dona do Facebook e do Instagram, inclusive informa a cobrança de PIS, Cofins e ISS sobre seus anúncios. Lula pode até querer abocanhar uma fatia ainda maior dessas multinacionais, mas dizer que elas não pagam um tostão de imposto é mentira.
4. Uma diferença básica
“Eu nunca pensei em me deparar com o representante genuíno do milicianismo desse país.”
Flávio Bolsonaro já homenageou o ex-capitão da PM Adriano da Nóbrega na Assembleia do Rio e empregou parentes dele em seu gabinete. Esses episódios, no entanto, não provam sua participação em milícias, e muito menos que ele seja um miliciano “genuíno”. Lula ignorou essa diferença básica e associou o adversário ao crime organizado — ainda que Flávio defenda enquadrar milicianos como narcoterroristas.
5. Nas costas dos outros
“O governo federal nunca teve responsabilidade com segurança pública porque a Constituição de 88 transferiu toda a responsabilidade pros estados.”
O artigo 144 da Constituição deixa claro o trabalho do governo federal: a PF combate o tráfico e a PRF patrulha as rodovias federais. Depois de três mandatos, Lula já deveria conhecer suas obrigações como presidente, em vez de jogar o problema nas costas dos governadores.
