
Um grupo de parlamentares do opositor Partido Democrata enviou nesta terça-feira (29) outra carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, para acusar o governo do presidente republicano Donald Trump de interferência na eleição presidencial brasileira e exigir que a administração federal dos Estados Unidos respeite o resultado das urnas.
A carta foi assinada pelos senadores Jeanne Shaheen, membro da Comissão de Relações Exteriores do Senado americano, Tim Kaine e Peter Welch.
Na semana passada, um grupo de 30 deputados federais democratas e o senador independente Bernie Sanders (que já fez parte da legenda) enviaram uma carta a Rubio com teor semelhante.
“Ao longo do segundo mandato do presidente Trump, vimos autoridades dos EUA se envolverem em uma campanha de interferência e desestabilização no Brasil. Esse esforço intensificou-se drasticamente durante o verão [no Hemisfério Norte] de 2025, quando o governo impôs tarifas e sanções direcionadas na tentativa de influenciar o veredito da Suprema Corte brasileira no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentar incitar um golpe militar para permanecer no poder”, escreveram os senadores na carta desta terça-feira, em referência às sanções econômicas aplicadas via Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, retiradas no final de 2025.
“O contraste com a postura dos Estados Unidos durante a eleição presidencial anterior no Brasil [quando o democrata Joe Biden era presidente dos EUA] não poderia ser mais evidente. Imediatamente após o anúncio dos resultados eleitorais, os Estados Unidos agiram com rapidez — em coordenação com aliados e parceiros — para reconhecer a vitória do presidente [Luiz Inácio] Lula [da Silva, PT], ajudando a negar legitimidade a tentativas de contestar ou reverter o resultado”, continuaram os senadores.
Em agosto de 2025, o ex-funcionário do Departamento de Estado americano Mike Benz, em depoimento à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, acusou a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid, na sigla em inglês) de suposta interferência nas eleições do Brasil de 2022, para “censurar os conservadores, principalmente nas redes sociais”, sob o pretexto de combate à desinformação.
“Hoje, em vez de ajudar a defender a democracia brasileira, os Estados Unidos estão utilizando pressão diplomática, econômica e política de maneiras que ameaçam enfraquecer as instituições democráticas do país, minar a confiança no processo eleitoral brasileiro e causar mais danos à nossa relação com um aliado estratégico e parceiro comercial dos EUA”, acrescentaram os parlamentares democratas na carta enviada ontem.
Rubio ainda não se pronunciou sobre o assunto. Em entrevista na semana passada à CNN Brasil, a porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, negou que os Estados Unidos estejam tentando interferir na eleição brasileira.
“Estamos vendo as notícias, claro que estamos acompanhando as eleições, claro que queremos saber o resultado, mas acreditamos que, como o Brasil é um país soberano e independente, queremos ver eleições livres e transparentes e vamos ver com os brasileiros o resultado”, afirmou.