
Uma operação conjunta de autoridades do Equador e da Colômbia, com participação do FBI, dos EUA, capturou duas mulheres apontadas como operadoras financeiras dos Los Choneros, uma das principais organizações criminosas equatorianas. Inda Mariela Peñarrieta Tuárez e Michelle Jamileth Macías Peñarrieta foram localizadas no domingo (27) em Sabana de Torres, no departamento colombiano de Santander, após serem procuradas internacionalmente pela Justiça equatoriana por suspeita de lavagem de dinheiro.
As duas são, respectivamente, mulher e filha de José Adolfo Macías Villamar, conhecido como “Fito”, apontado pelas autoridades como líder dos Los Choneros e extraditado para os Estados Unidos em julho de 2025.
Segundo a Polícia Nacional do Equador, Inda e Michelle eram consideradas “objetivos de alto valor” e são investigadas por suposta participação no manejo financeiro da organização criminosa.
A operação que culminou na prisão das duas, chamada Gran Fénix 059, reuniu a Polícia do Equador, a Polícia Nacional da Colômbia, militares colombianos e agentes do FBI, além de outras unidades de segurança dos dois países.
As duas eram procuradas por meio de notificações vermelhas da Interpol e deverão responder no Equador pelo caso conhecido como “Blanqueo Fito”, investigação sobre uma estrutura criada para lavar dinheiro supostamente proveniente das atividades criminosas dos Los Choneros.
Investigação aponta movimentação de milhões
A investigação sobre as finanças do grupo criminoso começou em abril de 2024, depois que a unidade de inteligência financeira do Equador identificou movimentações consideradas incomuns e sem justificativa envolvendo pessoas próximas a Fito.
A Promotoria equatoriana afirma que o grupo familiar ligado ao líder dos Los Choneros teria sido utilizado para colocar no sistema financeiro dinheiro proveniente de atividades criminosas.
Entre 2016 e 2023, somente Inda Peñarrieta e outra mulher ligada a Fito teriam movimentado de maneira incomum e sem justificativa mais de US$ 2 milhões, segundo a investigação.
Os promotores sustentam que os recursos teriam origem em crimes praticados por organizações comandadas por Fito, entre eles narcotráfico, extorsão, sequestro, assassinatos por encomenda e roubos.
Em setembro de 2025, Inda e Michelle foram formalmente incluídas no processo por suspeita de lavagem de dinheiro. Em março deste ano, a Justiça equatoriana determinou que elas e outros acusados fossem levados a julgamento em uma investigação que envolve mais de US$ 25 milhões em recursos de origem suspeita.
A Promotoria afirma que a estrutura investigada utilizava integrantes da família, empresas e movimentações bancárias para tentar dar aparência legal aos recursos.
Fito foi extraditado aos Estados Unidos
José Adolfo Macías Villamar, o “Fito”, ganhou projeção internacional como um dos principais líderes do crime organizado equatoriano. Os Los Choneros surgiram no Equador e se transformaram em uma das organizações criminosas mais influentes do país, com atuação ligada principalmente ao narcotráfico e ao controle de rotas utilizadas para enviar cocaína ao exterior.
Fito fugiu de uma prisão de segurança máxima no início de 2024, episódio ocorrido durante uma das maiores crises de segurança enfrentadas pelo Equador nos últimos anos.
Ele permaneceu foragido até ser recapturado pelas autoridades equatorianas e posteriormente extraditado aos Estados Unidos, onde responde a acusações relacionadas ao narcotráfico e ao tráfico de armas.
A captura de Inda e Michelle amplia a ofensiva contra a estrutura financeira associada ao líder dos Los Choneros e ocorre em meio ao aumento da cooperação entre autoridades equatorianas e americanas no combate às organizações criminosas transnacionais.
Equador e Colômbia integram aliança liderada pelos EUA
A operação ocorre em meio ao aumento da cooperação dos dois países com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. Equador e Colômbia integram o Escudo das Américas, iniciativa liderada por Washington que reúne governos do continente para ampliar o compartilhamento de inteligência e a coordenação de operações contra organizações criminosas transnacionais.
A Colômbia aderiu à iniciativa neste mês e acertou com os Estados Unidos a ampliação da cooperação em áreas como inteligência, compartilhamento de informações, aviação, radares, drones e sistemas antidrones. O Equador também participa da aliança e tem aprofundado operações conjuntas com autoridades americanas contra organizações ligadas ao narcotráfico.