
A emissora americana CBS veiculou nesta sexta-feira (25) uma reportagem que indicou que as Forças Armadas dos Estados Unidos estão se preparando para uma possível operação militar em Cuba.
O canal teve acesso a um documento da Reserva do Exército americano, no qual esta solicitou pareceres de comandos subordinados sobre a possível disponibilidade de seis tipos de formações que ficariam sob a autoridade do Comando Sul dos EUA (Southcom, na abreviação em inglês), que abrange as Américas Central e do Sul e o Caribe.
A mensagem não faz referência a Cuba, mas fontes do governo americano disseram à CBS que a solicitação diz respeito a um planejamento militar voltado para o país caribenho.
O documento fala que tais unidades seriam “possivelmente necessárias em um prazo de 90 a 120 dias”.
As unidades solicitadas são um batalhão de apoio à sustentação de combate (para atuar na coordenação de logística, como transporte, manutenção, combustível e suprimentos); um batalhão de engenharia; um comando de sustentação expedicionária (responsável por supervisionar a logística no teatro de operações); uma brigada médica (para comandar e coordenar unidades de saúde); um destacamento avançado de reanimação e cirurgia, para procedimentos de emergência e atendimento a traumas; e uma brigada de polícia militar, para supervisionar efetivos encarregados de segurança, detenção e outras missões de aplicação da lei.
De acordo com a CBS, a mensagem instrui os comandos a enviar suas respostas ao quartel-general da Reserva do Exército até esta sexta-feira.
A Reserva do Exército não se pronunciou sobre o assunto, mas um porta-voz do Southcom disse à CBS que, embora não pudesse detalhar nem fazer comentários sobre movimentações operacionais ou possíveis cronogramas de mobilização associados a operações, o comando “coordena-se continuamente com a Força Conjunta para avaliar uma série de possíveis necessidades em sua [área de responsabilidade], em apoio às missões atribuídas”.
Alegando que Cuba abriga bases militares e de inteligência de adversários dos Estados Unidos, Washington vem aumentando a pressão sobre Cuba, com sanções contra agentes do regime e segmentos econômicos estratégicos da ilha, como turismo e mineração, e indiciou em maio o ex-ditador Raúl Castro, pelas mortes de quatro ativistas cubano-americanos no abate de dois aviões civis em 1996.
No seu discurso na Assembleia Geral da ONU, na terça-feira (22), o presidente americano, Donald Trump, disse que seu governo “busca uma mudança fundamental na situação em Cuba”.
“O regime comunista está sob grande pressão — a maior pressão que já enfrentou. É um Estado absolutamente fracassado. Está fracassando como nunca antes e vai cair. [O secretário de Estado] Marco Rubio está conduzindo uma negociação. Ele está profundamente envolvido em negociações com Cuba. Vamos ver o que acontece”, afirmou Trump.
Apesar do discurso de negociação, o presidente americano já falou anteriormente que Cuba seria “a próxima” depois das operações militares dos EUA na Venezuela – onde o ditador Nicolás Maduro foi capturado em janeiro – e no Irã, e missões aéreas de inteligência e reconhecimento na região da ilha foram intensificadas este ano.