
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira (16) que o narcoterrorismo obrigou mexicanos a viver “com medo” dentro de suas próprias casas. A declaração foi feita em uma mensagem oficial pelo Dia da Independência do México, celebrado nesta quarta.
Rubio parabenizou os mexicanos pelos 216 anos da independência do país, mas dedicou parte significativa do comunicado aos problemas de segurança que atingem México e Estados Unidos.
Segundo o chefe da diplomacia americana, os dois países sofreram durante anos com a atuação do crime organizado transnacional, a violência dos cartéis, o narcotráfico e a imigração ilegal. Rubio afirmou que o “flagelo do narcoterrorismo” obrigou mexicanos comuns a “viver com medo em suas casas”.
O secretário também relacionou a atuação dos cartéis às mortes provocadas por drogas contrabandeadas para território americano. Segundo ele, substâncias levadas ilegalmente através da fronteira foram responsáveis pela morte de centenas de milhares de pessoas nos Estados Unidos.
Apesar do tom duro sobre a situação da segurança mexicana, Rubio destacou a cooperação entre Washington e o governo da presidente esquerdista Claudia Sheinbaum. Ele afirmou que a relação bilateral entrou em um “novo capítulo” durante o governo do presidente Donald Trump, marcado por maior colaboração na área de segurança e por mudanças nas relações comerciais.
De acordo com Rubio, Trump tem trabalhado em conjunto com o México para enfraquecer e desmantelar organizações criminosas do país classificadas pelo governo americano como narcoterroristas. O secretário afirmou, porém, que os dois países ainda têm “muito mais trabalho” pela frente.
A mensagem foi divulgada no mesmo dia em que o governo Trump voltou a aumentar a cobrança sobre o México no combate ao narcotráfico.
Em sua avaliação anual sobre os principais países de produção ou trânsito de drogas, Trump reconheceu medidas adotadas pelo governo Sheinbaum, como o aumento das apreensões de entorpecentes, o desmantelamento de laboratórios clandestinos e o reforço das forças de segurança na fronteira com os Estados Unidos.
O presidente americano afirmou, contudo, que o México precisa avançar no combate à chamada “narcocorrupção”, incluindo a identificação, prisão e processo de autoridades que colaboram com organizações criminosas. Washington também cobra mais investimentos nas forças de segurança e maior fiscalização dos pontos de entrada no país.
A pressão faz parte de uma estratégia mais ampla adotada pelo governo Trump contra organizações criminosas latino-americanas. A Estratégia Nacional de Controle de Drogas de 2026 prevê ampliar a cooperação com as autoridades mexicanas para prender, processar e extraditar líderes de organizações classificadas pelos Estados Unidos como terroristas, além de desmantelar laboratórios de drogas sintéticas.