Sindicatos e bispos exigem voz dos trabalhadores na implementação da IA

Enquanto a inteligência artificial remodela locais de trabalho e a tomada de decisões corporativas, líderes sindicais e bispos católicos estão pedindo que os trabalhadores tenham voz direta sobre como a tecnologia é introduzida e usada. Seu argumento não é que a inovação tecnológica deva ser resistida, mas que decisões que afetam empregos, salários e condições de trabalho não devem ser deixadas apenas para executivos corporativos ou sistemas automatizados. Em vez disso, eles apontam para a negociação coletiva, o diálogo social e a supervisão humana como salvaguardas para a dignidade e os direitos dos trabalhadores.

Liz Shuler, presidente da Federação Americana do Trabalho e Congresso de Organizações Industriais (AFL-CIO), disse que proteger os trabalhadores requer confrontar um modelo no qual executivos tomam decisões tecnológicas de longo alcance sem a participação dos trabalhadores. “Agora, temos CEOs que querem brincar de Deus para tomar decisões que afetam centenas de milhões de pessoas trabalhadoras sem nossa participação e consentimento”, disse Shuler.

Shuler fez as declarações em uma coletiva de imprensa no Vaticano em 11 de setembro, realizada em conexão com a Quarta Reunião Sinodal Fratelli Tutti, um encontro de 10 a 12 de setembro em Roma focado no diálogo entre o Norte e o Sul Global sobre questões sociais e ambientais. A coletiva de imprensa reuniu líderes sindicais e da Igreja para discutir, entre outras questões, o impacto da inteligência artificial sobre os trabalhadores e a necessidade de diálogo social. Outros palestrantes incluíram o bispo Daniel Flores, vice-presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos; o cardeal Jaime Spengler; e o líder sindical Gerardo Martínez.

Para Shuler, o diálogo social é essencial para garantir que a IA seja desenvolvida e implementada com a dignidade humana em mente. Ela comparou a transição tecnológica atual à introdução da eletricidade durante a segunda revolução industrial. “A eletricidade era uma nova tecnologia que era bruta, revolucionária e perigosa, e as empresas estavam correndo para obter lucros e as pessoas estavam sofrendo”, disse ela.