
A líder da última consulta informal do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para escolher o próximo secretário-geral da organização – o sucessor de António Guterres, Carolyn Rodrigues-Birkett, da Guiana, já chamou o ex-ditador comunista cubano Fidel Castro de “visionário”, elogiou sua “atuação em favor da humanidade” e acusou Israel de cometer “genocídio”.
Diplomata, Rodrigues-Birkett terminou em primeiro lugar na última votação informal realizada em 21 de agosto, com oito manifestações de apoio entre os 15 integrantes do Conselho de Segurança.
Rodrigues-Birkett é atualmente a representante permanente da Guiana nas Nações Unidas e já ocupou o cargo de ministra das Relações Exteriores de seu país. Em artigo publicado nesta segunda-feira (31), o jornal Wall Street Journal lembrou que a diplomata fez os elogios a Fidel Castro em 2013, durante uma cerimônia pelos 40 anos de relações diplomáticas entre a Guiana e Cuba.
Na ocasião, Rodrigues-Birkett afirmou que falar sobre as “realizações, a resistência e o desenvolvimento humano de Cuba” não seria possível sem prestar homenagem ao “visionário, determinado e revolucionário” que, segundo ela, “estava por trás desses resultados”. Em seguida, pediu que Fidel (ainda vivo naquela época) fosse homenageado “pela humanidade em geral”.
Ficaram atrás de Rodrigues-Birkett na última consulta informal a costarriquenha Rebeca Grynspan, com sete votos de apoio, e o argentino Rafael Grossi, atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) – apoiado pelo presidente argentino Javier Milei, que também recebeu sete manifestações favoráveis. Já Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile e candidata apoiada pelo governo Lula, perdeu força na disputa e recebeu apenas dois votos de apoio, contra seis manifestações contrárias e sete países sem posição.
Para avançar e ser votado pela Assembleia Geral, o candidato ao cargo de secretário-geral da ONU precisa alcançar pelo menos nove votos favoráveis entre os 15 integrantes do Conselho de Segurança e, além disso, evitar o veto de qualquer um dos cinco membros permanentes do conselho: Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido. Após atingir esse patamar, o nome é recomendado pelo conselho à Assembleia Geral da ONU, para ser votado. Historicamente, a assembleia nunca rejeitou um nome indicado pelo conselho.
As consultas informais que estão ocorrendo não representam uma eleição definitiva. Cada país do Conselho de Segurança classifica os candidatos de forma anônima em uma das três categorias: “encorajar”, “desencorajar” ou “sem opinião”. O mecanismo é usado para medir o grau de apoio e de rejeição antes da etapa final da escolha.
Rodrigues-Birkett superou Grynspan na segunda rodada informal, depois de a costarriquenha ter liderado a consulta anterior. Analistas disseram ao portal Geneva Solutions que nenhuma candidatura conseguiu até agora consolidar apoio suficiente para se transformar em favorita incontestável.
A disputa ocorre porque o atual secretário-geral da ONU, António Guterres, deixará o cargo em 31 de dezembro, ao fim de seu segundo mandato de cinco anos. O sucessor assumirá em janeiro de 2027 para um mandato inicial de cinco anos.
Além dos elogios a Fidel Castro, Rodrigues-Birkett também já fez críticas contundentes a Israel em discursos no Conselho de Segurança. Segundo pontuou o Wall Street Journal, ela acusou o país de “genocídio” e de alimentar “aspirações colonialistas”, além de atribuir a Israel responsabilidade pela deterioração do conflito com os palestinos.
O jornal americano também destacou uma declaração de Rodrigues-Birkett feita em 2024, quando ela afirmou que o conflito no Oriente Médio não poderia ser analisado apenas a partir do ataque terrorista do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023 e apontou 1948 como origem da disputa. Na ocasião, disse que Israel teria “rejeitado violentamente” uma solução de dois Estados. O jornal lembrou lembrou que a liderança judaica da época aceitou o plano de partilha da ONU, enquanto lideranças árabes o rejeitaram antes da guerra que se seguiu à criação de Israel.
A escolha do próximo secretário-geral ainda deve passar por novas consultas e negociações dentro do Conselho de Segurança. O processo pode se estender por várias rodadas até que um candidato consiga reunir apoio suficiente e superar possíveis vetos das grandes potências.