Dólar e Bolsa fecham em alta com guerra no Oriente Médio no radar

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar fechou em alta de 0,21%, a R$ 5,153, nesta segunda-feira (24), com investidores atentos à guerra no Oriente Médio e a ameaças de sanções dos EUA contra o Irã.

O comportamento acompanhou o do índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seis outras moedas fortes e subiu 0,20%.

A Bolsa avançou 0,51%, aos 171.906 pontos, impulsionada pelas ações da Vale e da Yduqs, dona da Estácio. Os papéis da Braskem foram o destaque negativo.

A possível negociação entre a empresa focada em ensino superior e a Afya, especializada em educação na área da saúde, fez com que as ações da companhia avançassem mais de 12%, a R$ 8,87.

Por outro lado, os papéis da petroquímica recuaram mais de 6% após a empresa receber sinal verde do conselho de administração para entrar com um pedido de recuperação extrajudicial.

O processo é para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas, o equivalente a aproximadamente R$ 56,2 bilhões.

A alta do Ibovespa também repercutiu um fluxo comprador que beneficiou as ações da Vale, que representam cerca de 11% da carteira do Ibovespa.

“Esse forte avanço foi capitaneado pelo robusto fluxo comprador direcionado às ações da Vale e do setor bancário, que ofuscaram as perdas de outras gigantes do índice. A Petrobras, por exemplo, operou em baixa refletindo o recuo internacional nos preços do barril de petróleo”, diz Rebecca Nossig, estrategista de ações na Nomad.

Além do noticiário corporativo, o pregão repercutiu o anúncio de medidas do governo Trump contra o Irã nesta segunda.

Na tarde desta segunda, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que os EUA estão lançando uma “ofensiva econômica” contra países que mantêm relações comerciais com o Irã. Bessent, contudo, se recusou a dizer quais países específicos seriam alvo das medidas, ou quando essas penalidades entrariam em vigor.

“Por que eu iria querer destruir o sistema financeiro global? Acreditamos que é importante estabelecer um ponto de equilíbrio e dar às pessoas um período de adaptação, mas elas devem saber que isso avançará muito rapidamente e que estamos falando sério”, disse ele em uma coletiva de imprensa.

Bessent também anunciou sanções contra quase 60 entidades, indivíduos e embarcações, e afirmou que o Tesouro estava visando cinco setores que o Irã utilizava para sustentar sua economia: ativos digitais, ouro, tecnologia, aviação e transporte marítimo.

A China tem sido, há vários anos, a maior compradora de petróleo iraniano, e Washington tem intensificado seus esforços para coibir as compras chinesas, mas até o momento não chegou a aplicar sanções contra os maiores bancos chineses.

O Irã rejeitou a ameaça dos EUA, prometeu interromper todas as exportações de petróleo do Golfo “se a guerra econômica continuar” e disse que sua resposta a quaisquer novas ameaças dos Estados Unidos seria “devastadora”.

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, também disse que o plano pretende “distrair da própria crise dos Estados Unidos”.

Enquanto isso, o estreito de Hormuz permanece fechado, com Teerã exigindo que os Estados Unidos cumpram condições de um acordo provisório firmado em junho.

“No mercado de câmbio, o ambiente manteve-se sob relativa calmaria, com o dólar oscilando e sem uma tendência direcional clara. Essa estabilidade reflete um compasso de espera por parte dos investidores globais, que aguardam a efetividade das novas sanções econômicas prometidas pelos Estados Unidos contra o Irã”, diz Nossig.

Investidores também reagiram ao noticiário político após divulgação de pesquisa Datafolha na última sexta-feira.

No primeiro levantamento do Datafolha após o início oficial da campanha presidencial, Lula (PT) marca 39% e Flávio Bolsonaro (PL), 33% no primeiro turno. Numa segunda rodada, o petista lidera por 47% a 43%.

A distância entre os principais rivais na disputa caiu quatro pontos percentuais em cenário de primeiro turno de junho para cá.

“Lula tem vantagem nominal, mas dentro da margem de erro. Isso mostra uma disputa mais acirrada, o que aumenta a imprevisibilidade sobre quais serão as políticas econômicas do Brasil para os próximos quatro anos e pode trazer mais volatilidade para os ativos nacionais”, diz Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX.

Durante a semana, investidores continuarão atentos a importantes eventos econômicos. O principal deles é o simpósio de Jackson Hole, onde o mercado acompanhará as sinalizações do Fed (Federal Reserve, banco central americano) sobre os próximos passos da política monetária.

Também nos Estados Unidos, o PIB (Produto Interno Bruto) e o deflator do PCE (Índice de Preços de Gastos de Consumo Pessoal), indicador de inflação preferido do Fed, serão divulgados na quarta-feira (26).

No Brasil, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) de agosto será divulgado na quarta e será importante para sinalizar os próximos passos da trajetória da Selic (taxa básica de juros).

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Fonte: Notícias ao Minuto

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