
Líderes católicos na Índia contestam publicamente acusações de que estariam orquestrando uma conspiração para barrar novas regras sobre doações estrangeiras. O conflito escalou nesta quinta-feira (20), após o governo de Narendra Modi adiar, pela segunda vez, a votação de um projeto que amplia a vigilância sobre fundos vindos do exterior e encaminhar o texto para análise de um comitê parlamentar.
Qual é a principal polêmica envolvendo a Igreja Católica e o governo indiano?
O ponto central é a Lei de Contribuição Estrangeira, a FCRA. Ela controla como o dinheiro que vem de fora do país é usado por entidades locais. O governo quer endurecer as regras, exigindo que as instituições detalhem cada centavo gasto por área geográfica e proíbam qualquer atividade política. A Igreja e a oposição protestaram, e agora setores da mídia e políticos ligados ao governo acusam os bispos de criar uma ‘conspiração cristã’ com apoio dos Estados Unidos para enfraquecer o projeto e a soberania do país, algo que os líderes religiosos negam categoricamente.
Como essas novas regras de fiscalização afetam as instituições religiosas?
Na prática, as mudanças na FCRA funcionam como um filtro rigoroso. Desde 2014, o governo já cancelou ou não renovou mais de 37 mil licenças de entidades que recebiam fundos externos, incluindo instituições de caridade católicas e grupos de direitos humanos como a Anistia Internacional. Para quem continua ativo, o governo exige agora taxas extras para cada tipo de trabalho e divulgação total de redes sociais. Críticos apontam que esse arrocho serve para avançar uma agenda nacionalista hindu, dificultando a sobrevivência de minorias religiosas que dependem de doações.
O que são as teorias de conspiração citadas pelos líderes católicos?
Surgiram alegações de que a Igreja estaria por trás de protestos estudantis sobre vazamentos de exames médicos, usando-os como fachada para interesses estrangeiros. Canais de TV e políticos sugeriram que o Vaticano e o ‘Estado profundo americano’ estariam financiando grupos para converter indianos ou incentivar movimentos radicais. Um padre jesuíta de Kerala chegou a ser apontado como organizador de manifestações satíricas. Os bispos explicam que essas histórias são invenções para redirecionar a raiva pública e culpar as minorias por falhas na narrativa do próprio governo.
Qual é o papel dos Estados Unidos neste embate diplomático?
Políticos americanos de alto escalão, tanto republicanos quanto democratas, manifestaram preocupação com a liberdade religiosa na Índia. Deputados dos EUA alertaram que o foco desproporcional do governo indiano em fechar o cerco contra igrejas cristãs poderia prejudicar a relação entre as duas nações. Embora jornalistas indianos sugiram que figuras como Donald Trump ou Marco Rubio estariam agindo a pedido da Igreja para derrubar o premiê Modi, representantes católicos em Goa reforçam que não houve iniciativa da Igreja nessas falas e que o debate é puramente diplomático.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.