(FOLHAPRESS) – As escolas particulares do país devem reajustar as matrículas e mensalidades do ano que vem entre 7% e 11%, aponta um estudo feito pela consultoria Meira Fernandes, especializada em gestão educacional.
O índice está acima da inflação de 5,03% projetada pelo mercado para este ano pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), de acordo com o último Boletim Focus do Banco Central.
Segundo a consultoria, o reajuste planejado também está acima do registrado em anos anteriores. No ano passado, por exemplo, a pesquisa identificou uma variação entre 9% e 10%.
A pesquisa deste ano ouviu 1.500 escolas em oito estados (São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Mato Grosso, Maranhão, Ceará e Roraima), entre os dias 11 de junho e 3 de agosto. Juntos, esses colégios têm quase 120 mil alunos matriculados.
Os dados mostram ainda que 98,9% das instituições particulares pretendem fazer algum tipo de reajuste nas mensalidades, sendo que 80,6% projetam aumento entre 7% e 11%.
Os responsáveis pela pesquisa identificaram ainda que o reajuste ocorre, sobretudo, para equilibrar as contas diante do aumento da inadimplência e da exigência por investimentos, como contratação de profissionais especializados e segurança digital.
“O resultado é que as mensalidades de 2027 começam a ser definidas não apenas como um reajuste anual, mas como uma ação real para, minimamente, recompor um orçamento submetido a custos simultâneos e permanentes”, diz a pesquisa.
Mais da metade das escolas ouvidas (51,93%) relata ter tido atrasos de 2% a 5% dos pagamentos no primeiro semestre. No mesmo período de 2025, a fatia de escolas com esse nível de inadimplência era menor, de 46,59%.
As escolas relatam, no entanto, que a maior parte da pressão sobre os custos tem vindo dos investimentos necessários para promover uma educação especial inclusiva e da contratação de profissionais especializados. Esses motivos foram citados por 35,9% e 16% das instituições, respectivamente.
Além disso, 28,8% das escolas indicam que têm enfrentado gastos elevados com a alta rotatividade dos funcionários. O aumento do chamado “turnover” da mão de obra tem gerado custos maiores com rescisões, novos processos seletivos e treinamentos, além de impactar negativamente o caixa das instituições.
Outras 6,08% das escolas disseram ter precisado investir em revisão de documentos, treinamentos, ferramentas, comunicação com as famílias, prevenção ao cyberbullying, proteção de dados e procedimentos relacionados ao ambiente digital e ao ECA Digital.
A consultoria destaca que esses índices revelam apenas uma média e uma sondagem dos valores de reajuste. Pela lei, as escolas só podem reajustar as mensalidades uma vez ao ano. O percentual deve ser informado às famílias com prazo mínimo de 45 dias antes da data final para a matrícula.
As instituições também são obrigadas a apresentar aos pais e responsáveis uma planilha com os custos.
