A Embaixada do regime do Irã na África do Sul utilizou sua página oficial na rede social X para publicar memes e montagens feitas com auxílio de inteligência artificial (IA) com o objetivo de ridicularizar o presidente Donald Trump após a revelação da operação secreta que foi montada pelos EUA para protegê-lo de uma ameaça considerada crível de um ataque iraniano durante sua saída da Turquia.
As publicações exploram principalmente o fato de Trump ter sido retirado discretamente do Air Force One e transferido para outra aeronave usando um caminhão de suprimentos no aeroporto de Ancara. Em uma das imagens divulgadas pela representação diplomática iraniana, Trump aparece escondido dentro de um compartimento de alimentos. No post, os iranianos escreveram “em breve ele (Trump) estará escondido em uma lata de lixo”.

Em outra publicação, a embaixada questiona se Trump seria um “herói americano corajoso” ou um “covarde escondido em um caminhão de suprimentos”. A montagem combinou uma imagem do republicano após o atentado sofrido em 2024 com outra feita com auxílio IA em que ele aparece escondido dentro de um equipamento usado para transporte de refeições em aeronaves.

A conta também publicou uma imagem que mostra Trump em um pequeno trator diante da Casa Branca, acompanhada da frase o “próximo plano de Trump para escapar”. Em outra montagem, a embaixada colocou lado a lado duas versões do presidente: uma escondida dentro de um carrinho, identificada como “realidade”, e outra retratada como um combatente armado diante da bandeira americana, classificada como “propaganda”.

A imprensa estatal iraniana também passou a apresentar o episódio como uma demonstração de fragilidade dos Estados Unidos. Um apresentador da televisão estatal afirmou que a troca secreta de aeronaves teria sido motivada pelo “medo do poder militar do Irã” e classificou a situação como uma “humilhação” para Trump, segundo noticiou a agência Reuters.
A operação que se tornou alvo do deboche iraniano foi realizada em 8 de julho, quando Trump deixava Ancara após participar de uma cúpula da Otan. O Serviço Secreto dos Estados Unidos recebeu informações sobre uma ameaça de que o Air Force One poderia ser atingido por ataque iraniano e avaliou o risco como crível e iminente. Diante da ameaça, agentes decidiram esconder o verdadeiro deslocamento do presidente.
Trump chegou a embarcar publicamente no Air Force One, diante das câmeras, mas deixou a aeronave poucos minutos depois sem ser visto. O presidente e um pequeno grupo de assessores saíram por uma porta localizada no lado oposto ao utilizado no embarque e entraram em um caminhão usado para transportar refeições e suprimentos para aviões, segundo detalhes revelados pelo Washington Post.
O caminhão levou Trump até um C-32A, versão militar do Boeing 757 utilizada pelo governo americano. O compartimento do caminhão onde estava o presidente foi elevado até a porta do avião, permitindo que ele embarcasse sem precisar atravessar a pista diante de câmeras ou observadores. Trump então deixou a Turquia a bordo dessa aeronave menor.
Enquanto isso, jornalistas, funcionários da Casa Branca e integrantes do governo permaneceram no Air Force One acreditando que Trump continuava a bordo. O avião presidencial decolou separadamente e chegou a utilizar durante o voo o indicativo “AF1”, associado ao Air Force One quando o presidente está na aeronave. O C-32A que realmente transportava Trump utilizou o indicativo mais discreto “Reach 18”, segundo o Washington Post.
As duas aeronaves seguiram para o Reino Unido, onde Trump voltou a aparecer publicamente descendo as escadas do Air Force One. O Washington Post informou que não ficou claro como o presidente foi transferido novamente para o avião presidencial antes dessa aparição.
Teerã não comentou oficialmente a acusação de que estaria por trás da ameaça que levou os Estados Unidos a executar a operação de segurança.