Lucro do BNDES cresce 25% e chega a R$ 9,2 bilhões no primeiro semestre

PAULO RICARDO MARTINS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) anunciou nesta quarta-feira (12) um lucro recorrente de R$ 9,2 bilhões no primeiro semestre deste ano. O resultado representa alta de 25% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O resultado recorrente exclui fatores extraordinários, que não devem se repetir. No acumulado de 12 meses, o lucro recorrente chegou a R$ 17,1 bilhões, recorde histórico da instituição.

O ROE (Return on Equity) recorrente, indicador de rentabilidade, foi de 19,2%, alta de 0,4 ponto percentual em relação ao primeiro semestre de 2025. O total de aprovações de crédito e operações garantidas aumentou 19% em relação ao primeiro semestre de 2025, com injeção de crédito de R$ 154 bilhões, sendo R$ 43,4 bilhões em garantias.

Na mesma base comparativa, as consultas de crédito aumentaram 72% e chegaram a R$ 237,7 bilhões. As consultas são a primeira etapa no fluxo de financiamento do banco. Desse total, R$ 110,6 bilhões foram aprovados, alta de 52% no período.

Os maiores crescimentos nas aprovações foram observados no crédito à infraestrutura, com alta de 91%, e agropecuária, que avançou 46%, somando R$ 46 bilhões e R$ 24,8 bilhões, respectivamente. Os créditos ao comércio e serviços foram de R$ 17,3 bilhões (alta de 27%), e à indústria de R$ 22,5 bilhões (aumento de 24%).

O crédito às micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) alcançou o patamar de R$ 108,2 bilhões nos primeiros seis meses deste ano, maior valor da história para o período, com aumento de 22% na comparação interanual.

Desse montante, R$ 43,4 bilhões representam aprovação de garantias prestadas por fundos garantidores em operações realizadas por agentes financeiros, e outros R$ 64,8 bilhões são as aprovações de crédito.

O volume dos desembolsos do BNDES chegou a R$ 74,8 bilhões no semestre, aumento de 37% em relação ao mesmo período de 2025. As consultas aumentaram 72% em relação ao primeiro semestre de 2025, totalizando R$ 237,7 bilhões.

O BNDES divulgou também uma inadimplência de 0,05% (90 dias), resultado que representa aumento de 0,02 pontos percentuais na comparação com o primeiro semestre de 2025.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, disse que a instituição vai dar atenção a setores “portadores de futuro”, como eVtols (veículos elétricos de pouso e decolagem na vertical, chamados também de carros voadores), bioeconomia e minerais críticos.

“Se o Brasil quiser estar bem no futuro, ele precisa do BNDES e precisa da ousadia do BNDES. Nós estamos olhando o carro voador, nós estamos olhando bioeconomia, bioinsumos para agricultura, nós estamos analisando minerais críticos, nós vamos entrar forte em terras raras, lítio, em tudo que representa a mobilidade limpa”, disse.

Ainda de acordo com o banco, os ativos totais do Sistema BNDES somavam pouco mais de R$ 1,058 trilhão em 30 de junho de 2026 , aumento de 10% em relação a dezembro de 2025. A alta foi puxada especialmente pelo acréscimo de R$ 76,5 bilhões da Tesouraria e de R$ 20,5 bilhões da carteira de crédito expandida.

Os financiamentos de créditos, repasses, debêntures e outros ativos de concessão de crédito, que compõem a carteira de crédito expandida, alcançaram o montante de R$ 684 bilhões em 30 de junho, aumento de 3,1% na comparação com dezembro de 2025. Esse foi o maior valor desde o final do 1º semestre de 2016.

Luciana Costa, diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES, disse a jornalistas que a debênture “é um instrumento extremamente importante para o financiamento da infraestrutura no Brasil”.

“A gente viabiliza o financiamento dos grandes projetos. O projeto de R$ 10 bilhões, R$ 15 bilhões é grande no Brasil e é grande em qualquer lugar do mundo. A gente não vai fazer sozinho, o mercado não vai correr o risco sozinho. É por isso que esse instrumento é super importante para o setor”, afirmou.

A carteira de participações societárias chegou a R$ 85,4 bilhões, com rendimento de R$ 57,4 bilhões desde 2023, decorrente de valorização e dividendos, descontadas compras e vendas. As principais empresas investidas em termos de carteira total são Petrobras, JBS, Eletrobras e Copel.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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