Petróleo supera US$ 90 pela primeira vez no mês com indefinição sobre liberação de Hormuz

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O preço do petróleo subiu nesta terça-feira (11) impulsionado por um novo clima de inquietação no mercado, que contempla um prolongamento do bloqueio do estreito de Hormuz diante de exigências irreconciliáveis entre Irã e EUA.

O barril Brent, referência mundial, chegou a superar US$ 90, cotado a US$ 90,03 (R$ 460,14), por volta das 6h (horário de Brasília), com uma alta de 2,63%. Depois disso, o preço passou a diminuir e estava em US$ 88,64 (R$ 453,04) , uma variação positiva de 1,05%, por volta das 14h15.

É a primeira vez que o preço do petróleo ultrapassa US$ 90 no mês. A última vez que isso ocorreu foi em 31 de julho, quando o Brent alcançou US$ 90,80.

Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, era negociado a US$ 83,09 (R$ 424,67), alta de 1,15% em relação ao dia anterior.

O petróleo iniciou a semana com uma forte alta na segunda-feira, impulsionado pelas condições impostas por Teerã para reabrir o estreito de Hormuz, por onde passava 20% da produção mundial de petróleo e gás.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irã estaria pedindo uma compensação pelos danos no conflito e que ele também exigiria esse pagamento. Os iranianos continuaram rechaçando que estejam negociando diretamente com os norte-americanos e que as conversas estão feitas através de intermediários.

Nesta terça, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, se reuniu com o ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, em Teerã nesta terça, mas o regime iraniano não divulgou maiores detalhes.

O Paquistão, que é um dos mediadores ao lado de Omã e Qatar, informou que um acordo de paz está próximo. “Os sinais dos últimos dois ou três dias indicam que estamos próximos de algum tipo de acordo”, afirmou o ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, em entrevista à Bloomberg News. O Qatar também disse mostrou otimismo com um acordo.

Apesar de sinais preliminares de progresso na diplomacia, houve relatos de novos ataques à navegação no golfo de Omã e no Mar Vermelho, destacando a crescente ameaça ao comércio marítimo. Seis tripulantes foram mortos em um suposto ataque dos houthis do Iêmen -aliados do Irã- a um pequeno navio de carga no estreito de Bab el-Mandeb, informou o ministério dos Transportes do Iêmen. Os houthis não assumiram a autoria do ataque.

Um navio porta-contêineres também foi atingido por um míssil na costa do Paquistão, enquanto navegava pelo Golfo de Omã, em um suposto ataque dos EUA, segundo relato da agência de notícias Reuters.

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, reafirmou que o estreito de Hormuz permanecerá fechado enquanto as condições iranianas não forem aceitas pelos EUA.

A situação causou a nova alta no petróleo. “O mercado passou a demonstrar menor otimismo quanto à possibilidade de normalização das exportações de produtos energéticos da região”, afirmou Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX.

“A combinação entre tensões geopolíticas no Oriente Médio, riscos à navegação no Mar Vermelho e interrupções na infraestrutura energética russa continua sustentando os preços internacionais do petróleo e dos derivados”, complementou Cordeiro.

“O padrão se repete sem cessar: um entusiasmo inicial quando as negociações parecem promissoras e, depois, o otimismo se evapora com a mesma rapidez quando não se constata nenhum progresso”, afirmam os analistas do ING.

Leia Também: Natura diz que fará correção de rota após queda do lucro

Fonte: Notícias ao Minuto

Últimas notícias

... O conteúdo do CN12 está protegido pela legislação brasileira sobre direito autoral. Essa defesa é necessária para manter o jornalismo corajoso e transparente do CN12 vivo e acessível a todos. A republicação é gratuita desde que citada a fonte.