Sem apoio do Brasil, OEA acolhe pedido sobre a Nicarágua

A Organização dos Estados Americanos (OEA) decidiu nesta quarta-feira (5) acolher um pedido de convocação de uma reunião de chanceleres para discutir a suspensão definitiva das eleições na Nicarágua. A iniciativa recebeu o apoio da maioria dos países da organização. O Brasil, no entanto, foi a principal exceção ao rejeitar a proposta apresentada durante sessão do Conselho Permanente.

O pedido foi apresentado pelos Estados Unidos e contou com o apoio da Argentina, Costa Rica, Panamá e Paraguai. O objetivo é reunir os ministros das Relações Exteriores dos países membros para repudiar a decisão do regime de Daniel Ortega e sua esposa, Rosario Murillo, de extinguir, de forma definitiva, a realização de eleições no país.

De acordo com o texto da proposta, a reunião busca discutir uma resposta conjunta da OEA diante da crise política na Nicarágua e avaliar os impactos da decisão do regime nicaraguense para a democracia e os direitos humanos na região. A expectativa é impedir novos avanços do regime, que anunciou o fim das eleições e promove neste momento mudanças constitucionais para ampliar seu controle sobre o país.

Durante a sessão, o subsecretário de Estado dos Estados Unidos para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Michael Kozak, afirmou que a situação da Nicarágua deixou de ser apenas uma questão interna e passou a representar uma preocupação para a estabilidade regional. Ele lembrou que o regime de Ortega promove perseguições, prisões, exílios e repressão contra opositores, além de provocar o deslocamento de milhares de nicaraguenses para outros países.