
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar recua nesta quarta-feira (5), enquanto investidores aguardam a decisão de juros do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, que será divulgada após o fechamento do mercado, por volta das 18h30.
Analistas também avaliam uma nova pesquisa eleitoral para a presidência divulgada pela Genial/Quaest e as negociações entre EUA e Irã.
Por volta das 14h46, a moeda norte-americana caía 0,17%, cotada a R$ 5,125, em reversão parcial da alta registrada no pregão da véspera (4), quando avançou 0,90%.
No mesmo horário, a Bolsa subia 0,24%, aos 178.392 pontos. Entre os destaques do pregão, as ações do Itaú avançavam 2,20%, cotadas a R$ 43,04, após o banco anunciar lucro líquido recorrente de R$ 12,407 bilhões no segundo trimestre deste ano.
Já os papéis do GPA subiam 10,90%, cotados a R$ 3,05, em meio às expectativas do mercado em relação ao plano de recuperação judicial da companhia. O movimento ocorre mesmo após a varejista divulgar queda de 9,6% na receita líquida do segundo trimestre, para R$ 4,2 bilhões, e prejuízo líquido consolidado de R$ 252 milhões, alta de 16,2% na comparação com o mesmo período de 2025.
O mercado financeiro dá como certo outro corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica (Selic), para 14% ao ano nesta quarta-feira. A projeção nesse percentual para os juros foi unânime entre 30 instituições consultadas pela Bloomberg.
Com a redução já precificada, analistas irão voltar suas atenções para as justificativas do Copom (Comitê de Política Monetária) para cortar a taxa Selic.
“Já houve desconforto entre investidores diante de uma comunicação anterior do Banco Central, interpretada por parte do mercado como uma sinalização de continuidade do ciclo de cortes em um ambiente ainda desafiador. Por isso, os detalhes do comunicado serão acompanhados com bastante atenção”, diz Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX.
Para ele, a expectativa é que o Copom evite uma sinalização definitiva sobre os próximos passos, seja de novos cortes ou de manutenção da taxa, “mantendo as opções abertas”.
Na terça-feira, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que a produção industrial caiu 1,8% em junho ante maio, mais que a retração de 0,8% projetada por economistas ouvidos pela Reuters. O resultado é o mais recente sugerindo desaceleração da atividade econômica no Brasil.
O dado reforça uma tendência de desaceleração observada em outros indicadores da atividade e da inflação.
No final de julho, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) de julho mostrou uma desaceleração na alta de preços do Brasil. A inflação medida pelo IPCA-15 desacelerou a 0,06%, ante mediana de 0,22% dos economistas consultados pela Bloomberg.
Ainda no ambiente doméstico, investidores repercutem pesquisa Genial/Quaest divulgada mais cedo. O levantamento mostrou Lula à frente de Flávio Bolsonaro na disputa pelo Planalto, mas com uma vantagem menor em comparação à pesquisa anterior.
Na projeção de segundo turno, Lula tem 44% das intenções de voto, contra 39% de Flávio. Foram ouvidas 2.004 pessoas entre os dias 31 de julho e 3 de agosto, e a margem de erro é de 2 pontos percentuais. No levantamento anterior, Lula tinha 45% e Flávio somava 37%.
Analistas avaliam que o senador tem perfil mais alinhado à disciplina fiscal do que o atual presidente, Lula. Integrantes da equipe econômica do pré-candidato defendem um ajuste fiscal inicial equivalente a dois pontos percentuais do PIB (Produto Interno Bruto) em caso de vitória eleitoral.
“O resultado pode ser interpretado por parte dos investidores como um fator positivo, considerando a percepção de que uma eventual mudança no comando do Executivo poderia abrir espaço para uma agenda fiscal mais favorável”, afirma Leonel Oliveira Matos.
Na véspera, o dólar encerrou a sessão de terça-feira com alta de 0,84%, aos R$ 5,130, com a cotação refletindo o temor entre os investidores de novas sanções dos EUA contra o Brasil.
Com o mercado já fechado, os EUA anunciaram no fim da tarde a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A determinação aconteceu cerca de dez dias depois de o Itamaraty negar o visto a funcionários americanos que viriam ao país questionar as eleições.
Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que novas sanções contra o Brasil não estão descartadas. Entretanto, como essa foi a única sanção anunciada, houve alívio entre investidores.
O pregão também acompanha as negociações entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio. Na segunda-feira (3), o presidente norte-americano, Donald Trump, disse que as negociações entre Washington e Teerã “estão ocorrendo”. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou algo parecido na terça.
“Estamos em negociações com os iranianos e acredito que há chances de chegarmos hoje ou amanhã a um acordo para abrir o estreito e avançar rumo a uma posição mais normalizada neste conflito”, disse Bessent, em entrevista à CNBC.
As declarações, apesar de contrariarem a versão de Teerã, que nega haver negociações em andamento com Washington, animam os investidores.
O índice DXY, que mede o desempenho da moeda norte-americana em relação a seis divisas fortes, recuava 0,19%.
As Bolsas dos EUA não caminham em direção única. Por volta das 14h49, S&P 500 e Dow Jones subiam 0,01% e 0,92%, respectivamente, além de registrarem novas máximas intradiárias durante a sessão. A queda das ações da SpaceX pressionava a Nasdaq, que caia 0,51%.
As taxas dos contratos de DI (Depósito Interfinanceiro) operavam em queda nesta quarta-feira, em relação aos ajustes da véspera.
Às 10h23, o DI para janeiro de 2028 recuava para 13,78%, queda de 0,06 ponto percentual. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 caía para 14,33%, baixa de 0,08 ponto percentual.
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