A proposta de criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), empresa que concentraria as operações comerciais das competições organizadas pela FIFA e poderia receber investimentos privados, aumentou a pressão sobre o presidente da entidade, Gianni Infantino.
Relatos de funcionários e executivos ouvidos sob anonimato pela emissora francesa RMC Sport mostram um ambiente de forte insatisfação dentro da organização. As críticas envolvem tanto o projeto da nova subsidiária quanto a forma como Infantino conduz a entidade.
“Nós adoramos o futebol, é a nossa vida, e agora estamos sendo retratados como assassinos do futebol por causa de uma pessoa”, afirmou um funcionário que trabalha na sede da FIFA, em Zurique, na Suíça.
O colaborador havia retornado recentemente da América do Norte, onde atuou nos bastidores da Copa do Mundo de 2026. Segundo ele, episódios ocorridos durante o torneio já haviam prejudicado a imagem da entidade, mas a criação da FFE representou o limite para parte dos funcionários.
“Ele nos envergonha. Estou dizendo isso sem rodeios, é uma vergonha total”, declarou.
A crise também pode afetar a tentativa de Infantino de permanecer no comando da FIFA. A eleição para o mandato de 2027 a 2031 está marcada para 18 de março de 2027.
Outro integrante da alta cúpula da entidade afirmou que o presidente perdeu apoio entre pessoas próximas e que decisões importantes passaram a ser tomadas sem participação dos demais dirigentes.
“Temos um grupo no WhatsApp com outras pessoas que trabalham na FIFA e não há ninguém apoiando o que ele fez”, disse.
Segundo o executivo, a estrutura interna se tornou cada vez mais centralizada. “Estamos em um sistema no qual já não temos voz nas decisões do dia a dia. Apenas temos de executar.”
Ele também criticou a imagem transmitida pela entidade ao público e questionou as prioridades da atual gestão.
“Somos vistos como uma federação internacional que só pensa em dinheiro, com um presidente que percorreu milhões de quilômetros em um jato particular durante a Copa do Mundo e vive como um milionário. Vocês realmente acham que o futebol é prioridade e que estamos transmitindo uma boa imagem aos torcedores?”, afirmou.
A insatisfação já começou a produzir efeitos fora da estrutura interna. As federações de Inglaterra e País de Gales anunciaram que não apoiarão a candidatura de Infantino a um novo mandato.
As duas entidades foram as primeiras entre as 211 federações filiadas à FIFA a retirar publicamente o apoio ao dirigente. A expectativa é que outras associações nacionais adotem a mesma posição nos próximos meses.
