
O Gabinete de Segurança de Israel aprovou neste domingo (26) um programa piloto para a entrada limitada da Força Internacional de Estabilização em Gaza, parte do Conselho de Paz estabelecido pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
A decisão permite estabelecer uma zona humanitária nas próximas semanas na cidade de Rafah, no extremo sul do enclave, que está sob controle militar israelense. A criação dessa zona implicaria o destacamento da Força Internacional de Estabilização, conforme estipulado no acordo de cessar-fogo.
A medida foi aprovada pelo Gabinete de Segurança de Israel, composto por funcionários do governo e outras autoridades de segurança nacional de alto escalão.
Um alto funcionário israelense disse à imprensa local que o contingente da Força Internacional de Estabilização que entrará no enclave será composto por “cerca de 200 representantes de países amigos de Israel, como Uganda e Marrocos”.
Nickolay Mladenov, o principal representante do Conselho de Paz em Gaza, elogiou a decisão, neste domingo. “Trata-se de uma parte fundamental da estrutura acordada para estabilizar Gaza, apoiar a desmilitarização e viabilizar a transição para uma administração palestina transitória eficaz sob a égide do Conselho Nacional de Governo Autônomo (CNGA)”, afirmou no X.
Até o momento, o grupo terrorista Hamas, responsável pelo massacre de 7 de outubro de 2023, se recusou a abrir mão das armas, conforme está previsto no plano de 20 pontos do presidente Donald Trump para Gaza.
Plano piloto aprovado por Israel ainda deve receber aval de Netanyahu
O plano prevê a construção de moradias temporárias para aqueles que optarem por se mudar para esta área piloto em Rafah, após passarem por processos de verificação para descartar qualquer ligação com grupos terroristas. Não há detalhes, até o momento, de como esse processo de verificação seria feito, nem o que será considerado uma ligação com o terrorismo.
O envio dessa força depende da aprovação, ainda pendente, do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, do ministro da Defesa Israel Katz e do ministro das Relações Exteriores Gideon Saar.
Segundo o alto funcionário citado pela imprensa local, Israel continuará ocupando o enclave até a chamada Linha Amarela, a demarcação imaginária para a qual as tropas se retiraram no início do cessar-fogo.
“Não haverá retirada de qualquer tipo até que o Hamas se desarme e Gaza esteja completamente desmilitarizada”, disse a fonte. Se o programa piloto for bem-sucedido, segundo o jornal Yedioth Ahronoth, ele será estendido a outras áreas de Gaza.
A criação de uma zona em Rafah para onde a população de Gaza seria realocada, concentrando ali um melhor fornecimento de recursos básicos, já fazia parte do plano de Netanyahu para 2025, apresentado em uma coletiva de imprensa em maio daquele ano.