
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira (23) que o acordo nuclear com a Arábia Saudita não prevê enriquecimento de urânio pelo reino e só será aplicado se o país árabe estabelecer relações diplomáticas com Israel.
“O acordo de energia nuclear para fins civis (não haverá enriquecimento de material!) que está sendo firmado entre o Departamento de Energia dos Estados Unidos e a Arábia Saudita — e que diz respeito apenas a usos não militares, semelhantes aos que o Irã, os Emirados Árabes Unidos e outros já possuem — será aprovado, mas está totalmente condicionado à adesão da Arábia Saudita aos muito respeitados e bem-sucedidos Acordos de Abraão”, escreveu Trump na rede Truth Social.
Os Acordos de Abraão são compromissos que Trump intermediou no seu primeiro mandato (2017-2021) e por meio dos quais Israel já normalizou relações com quatro países islâmicos: Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Marrocos e Sudão.
As negociações para que Israel e Arábia Saudita estabeleçam relações diplomáticas estão travadas desde o início da guerra dos israelenses contra o grupo terrorista Hamas na Faixa de Gaza, em 2023, conflito atualmente em cessar-fogo.
“Os Estados Unidos não se opõem a instalações nucleares para fins civis (sem enriquecimento)”, enfatizou Trump nesta quinta-feira. Além da exigência sobre Israel feita pelo presidente americano à Arábia Saudita, o acordo ainda precisa ser aprovado pelo Congresso dos Estados Unidos.
O secretário de Energia americano, Chris Wright, e o ministro de Energia da Arábia Saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, assinaram na quarta-feira (22) o chamado Acordo 123, que, segundo comunicado do governo dos EUA, vai proporcionar às empresas americanas amplo acesso ao programa de energia nuclear saudita, sob “elevados padrões de segurança nuclear, proteção e não proliferação”.
Apesar de os dois países garantirem que a parceria tem fins pacíficos, o anúncio do acordo tem gerado preocupações em Israel, onde políticos temem uma corrida nuclear armamentista no Oriente Médio.