
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar caiu 0,25% nesta sexta-feira (26) e encerrou a semana cotado a R$ 5,167, com investidores recalibrando apostas de aumento de juros pelo Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) à luz da normalização gradual do tráfego pelo Estreito de Hormuz.
A moeda passou boa parte do pregão no negativo, tendo atingido R$ 5,155 na mínima, em linha com o movimento global de desvalorização. O índice DXY, que compara o dólar a seis divisas fortes, marcou recuo de 0,11%, a 101,35 pontos.
Leilões simultâneos no mercado de câmbio, realizados pelo BC (Banco Central), também embalaram a sessão.
Na Bolsa, o dia foi de alta, com o Ibovespa fechando com ganhos de 0,75%, a 173.295 pontos, apesar da queda de 1% da Petrobras. Já os juros futuros caíram em quase todos os vértices da curva, em ajustes após a forte disparada da semana passada.
O contrato do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 ficou em 14,14%, baixa de 0,11 ponto percentual. O vencimento para janeiro de 2035 ficou estável, em 14,31%. O mercado está “montando consenso” de que o BC voltará a reduzir a Selic em agosto, conforme um operador ouvido pela Reuters.
“A ata do Copom (Comitê de Política Monetária) e o Relatório de Política Monetária trouxeram alívio para as curvas de juros, o que é sempre importante para o mercado de renda variável. Soma-se a isso o IPCA-15, que não só desacelerou na leitura cheia, mas que trouxe uma composição mais favorável e também segue ajudando a trazer alívio para a curva de juros”, diz Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.
Com o cenário doméstico em acomodação, os investidores se voltaram para o exterior -sobretudo as expectativas sobre a política monetária dos Estados Unidos e as notícias da guerra no Irã.
A gigante petrolífera Saudi Aramco retomou o carregamento de petróleo nesta sexta em seu terminal de Ras Tanura, no Golfo, após uma paralisação de quase quatro meses, segundo dados de embarque da LSEG. Dois superpetroleiros, com capacidade de 2 milhões de barris, carregaram petróleo no terminal, enquanto outro aguardava nas proximidades.
A notícia endossou a percepção de que os mercados de energia estão à caminho da normalidade, com o petróleo devolvendo os ganhos expressivos que acumulou nos últimos meses e voltando para patamares próximos ao pré-guerra.
O preço do barril do Brent, referência internacional, fechou a US$ 71,99, uma queda de 4,34%. O WTI (West Texas Intermediate), dos Estados Unidos, ficou em US$ 69,23 o barril, em perdas de 3,74%.
“Há uma sensação crescente de que o petróleo continuará circulando pelo Estreito”, disse Phil Flynn, analista sênior da Price Futures Group.
Com a diminuição dos riscos geopolíticos, as pressões sobre a inflação global causadas pelo choque energético podem ser aliviadas -reduzindo as chances de uma alta de juros pelo Fed.
A leitura também tem como base dados de inflação dos EUA, que, na quinta-feira, também alteraram as apostas sobre a política monetária americana. O PCE, índice favorito do Fed para balizar as decisões de juros, avançou 4,1% nos 12 meses até maio, no maior aumento desde abril de 2023.
O resultado veio em linha com as expectativas. Na base mensal, o índice teve alta de 0,4%, mesma taxa de abril.
“O relatório do PCE de maio é um lembrete de que a batalha contra a inflação ainda não acabou, mas também não é um sinal claro de que as pressões subjacentes sobre os preços estejam voltando a subir”, afirma Martin Beck, economista-chefe da Public Policy Holding Company, acrescentando que o núcleo do PCE não acelerou em relação ao mês anterior.
Com os preços dos combustíveis, que impulsionaram grande parte do salto da inflação geral em maio, agora em forte queda, “o Fed pode continuar paciente em vez de entrar em pânico”.
A leitura recalibrou as apostas sobre os juros do Fed. Agora 70% dos operadores agora apostam na manutenção da taxa de juros na reunião de julho, e 80% veem chance de aperto em setembro.
O câmbio no Brasil também foi embalado pelo “casadão”, isto é, a realização de dois leilões simultâneos por parte do BC. A autoridade monetária vendeu US$ 1 bilhão em moeda à vista e 20 mil contratos no valor de US$ 1 bilhão de swap cambial reverso -neste caso, uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro.
Esses dois leilões simultâneos, como de costume, não alteraram de forma substancial a trajetória do dólar, já que o BC vendeu US$ 1 bilhão em uma ponta e comprou US$ 1 bilhão em outra.
Pela manhã, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) ainda informou que a taxa de desemprego no país atingiu 5,6% nos três meses até maio, menor nível para o período na série histórica e em linha com as expectativas de economistas. No mesmo período de 2025 a taxa estava em 6,2%.
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